Cheguei.
Espero pelas malas sentada num carrinho. Não tenho pressa.
Só ouço as rodas das malas dos outros entre os passos daqueles que as levam.
Estou bem. Até gosto de esperar por malas.
Porque estas não são só malas, são as malas.
As pessoas falam das férias.
Uma criancinha pergunta ao pai onde é Stutsgart.
Uma velhota aguarda que a filha lhe traga as malas.
E eu continuo sentada no carrinho. No mesmo carrinho.
A Vodafone diz Bem Vindo a Portugal. A Optimus também.
Tudo acontece como se eu tivesse chegado, só eu é que ainda não percebi que cheguei (nem as malas).
Já é 12h30 e o voo da TAP1956 diz que aquelas são as últimas bagagens e o tapete pára.
A velhota já não está, a criancinha decerto já sabe onde está Stutsgart e também já foi.
E eu cada vez mais gosto deste carrinho.