quinta-feira, junho 24, 2010

São João

Um dia sonhei que um grande balão pairava num terraço.
Sonhei que todas as suas cores hesitavam entre pousar ou avançar.
Às vezes parecia tratar-se de um jogo dirigido.
Mas não, porque os balões obedecem aos ventos.
Às vezes sujeito a mais tempestades, outras vezes com um rumo mais ameno.

Se calhar tinha vindo duma fogueira.
Se calhar tinha passado bem perto de um fogo-de-artifício.
Se calhar, às vezes, o balão desentendia-se com aquele terraço.
Mas entre aquele meu terraço e aquele teu balão havia sempre pontos de passagem naquela viagem.

Se calhar afinal, até era guiado, não pelos ventos, mas por ti.
Se calhar ia até aos céus levar sorrisos, juntamente com lágrimas.
Se calhar era por isso que o balão não descansava de ali pairar,
E se calhar era por isso que não queria ali descer.
Sabes, se calhar não.

domingo, junho 13, 2010

Santo António

Marrocos

Dia 1
Aquecimento. Recepção IAC em Faro na Villa Francesinha. Dormir com almofadas no sofá.

Dia 2
Rumo a Espanha. Algeciras. Afinal, Tarifa. Travessia até Tânger. Procura de carro para alugar. Aeroporto. Acampar por entre as árvores do estacionamento. Quando muda o turno afinal não podemos. Acampar dentro. Detectores de metais sempre desligados ou então a apitar. Mas de qualquer das formas, é sempre indiferente. Apitar ou não apitar. Tirar ou não tirar.

Dia 3
Alugar carro e jipe. Negociar. Afrique rent-a-car. Ir perguntar ao do lado. Carros aqui? No hay! Concretizar o acto.

Tétouan. A Medina. O marroquino. A cooperativa dos tapetes. Tapetes contra a Rinite Alérgica. A marcação dos cuscus e dos tagines. A descoberta do Ali baba. A pressa, mata. Só mais uma Farmácia não! Queremos comer. Cuscus na sauna com joelhos a suar na toalha.

Chefchaouen. Busca do Hostel. Pita simula bater a Mel e espanta população indígena. Hotel das cervejas. A Praça. Jantar com Vinho. O Terraço.
Dia 4
Hotel das Cervejas. A Praça. Bis. Bis. Place Uta el-Hammam. Mesquita de Kasbah. Com tanto calor em Marrocos, o meu sítio preferido é a prisão que está fresquinha. Lavar os Tapetes. Pôr os pés na água. O creme de há 3 dias que se espalhava esquisito, afinal era gel de banho!

Equipas estabelecidas: corninho 1.6 e Trambolho. E muitas intervenções estúpidas.
O que voa e é preto ou são os mosquitos ou o batman!

Chegada a Fez. É agora o Festival Internacional de Música. Sacra. Pelo menos não é o Festival de Música Coccígea. Jantar no Terraço. Dormir no Terraço em frente.

Dia 5
Pequeno-almoço no Terraço. O Guia Misura das 4 mulheres e 24 filhos. Passeios na Medina. Tanques com tintas. Palácio Real. Chá de Hortelã. Farmácia. Demonstrações anti-sinusite. Pãoquecas que não são salgadas nem doces, mas são bem bouas.
Mais intervenções estúpidas. Se La é não, Alá é anão. E inchalá era para ele ficar maior.
Tentativa de ir a banhos. As muçulmanas ali a fazer merendas.
Grande Jantarada no Hotel.

Dia 6
Caminhos difíceis pelo Atlas. A água do carro abre sozinha e bate no nariz e em vez de gelo, a coisa mais fresca que se tem é uma maçã. Meninos a pedir água.
Cascadas de Ouzoud. Caminhos íngremes. Acampar em frente às cascadas. Durante a noite com lanternas. A casa de banho e o burro.

Dia 7
Acordar nas Cascadas. Tomar banho na argila. A casa dos Berberes. Chá e pão e cabras berberes. Atravessar o Atlas. Os meninos que aparecem do nada e levam canetas e toalhitas. O chouriço que tinha o limite da lata e era rebelde ao canivete.

Ouazazate. O Sr. simpático do Turismo que não leva nada e explica tudo.

A Caminho do Oásis Finnt para ver o pôr-do-sol. Atravessar caminhos de água com o carro e com o jipe. Empurrar o carro.
Músicas marroquinas na rádio. La la la Marrakesch? Ai não é o que diz? Então e esta do És tão boa ta na na na.
Jantar com as estrelas como o céu. Jogos até as tantas. Dormir em Palacete no Oásis.

Dia 8
Brincar aos rallys nos descampados. 43 graus registados.
Filmagens: Ecla Studios. O carro fica entalado na areia. Cavar com a pá.

Dia 9
Marrakech. Kebab. Tchizebrager. O riat.
Mercado.
Comer no Terraço. Mesquita. Peripécias no Mercado.Ida a banhos Hammams. Jantar no Mercado. Quem faz a conta são os Tugas.

Dia 10
Auto-estrada. Estação de serviço de gasolina com salas para rezar para homens e para mulheres que são confundidas com casas de banho.

Moulay bousselem.
Restaurante L’Ocean. O Oligofrénico. Já não há calamares. Ou havia pouquinhos. O apartamento.

Dia 11
Pequeno-almoço.
Rumo a Tânger. Rumo a entregar o carro. Rumo à chuva. Rumo a Espanha, a Portugal, a Faro e ao Santo António.

quarta-feira, junho 02, 2010

Pediatria pode ser

"Este menino não tem nada, mas veio aqui ao Hospital ver se apanhava alguma coisa."

"Para essas dores, o melhor é aguentoterapia."

"Ó doutora, se for explicar o exame a cada criança, demora 2 horas por doente."

"Ora mostra lá a boca. Deixa lá ver o Noddy. Não deixas?
Olha, vou ver o Noddy que está na boca da mãe.
Vês? Não dói!"

"Sabes respirar pela boca?"- dizia para uma criança de menos de 1 ano "Vês, é assim!" fazendo a tal imitação que simulava um arfar que mais parecia o de um cão.

"Então tu ainda não percebeste que já não estás no Serviço de Obstetrícia?
As manobras fazem-se às crianças ou andas a fazer Ortolanis às mães?"

"Quem são os responsáveis pela fornada de gigantes que houve nas últimas 3 semanas no Hospital?
Então a doutora não viu que tinham todos 4 cm a mais?
Como é que eles podiam estar mais pequenos no dia a seguir a nascerem?"

"Quem foi o menino que pôs 60 cm de Perímetro Cefálico no Boletim?"

"Olha, tu vestes as crianças? É que eu estava ali a atrofiar com um babygrow cheio de botões e pousei-o por cima do bebé como se fosse uma manta."