domingo, janeiro 30, 2011

Torres Vedras

Atrás da orelha, onde a Liliana era a directora da escola!

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Cientista e a fórmula deprimente

Hoje, 24 de Janeiro, é o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática concebida por um cientista britânico da Universidade de Cardiff.

1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA.

“C” corresponde ao factor climático: em Janeiro, os dias são cinzentos e frios;
“D” representa as dívidas adquiridas durante a época do Natal e que agora terão de ser pagas, uma vez que o pagamento dos cartões de crédito é feito no final do mês.
“d” em minúscula significa os custos monetários relativos ao mês de Janeiro
“T” é o tempo que passou desde o Natal.
“I” representa o período desde a última tentativa falhada de abandonar um mau hábito: os bons propósitos feitos no início do ano – como as idas ao ginásio, deixar de fumar e comer melhor - começam a ficar para trás.
“M” são as motivações de cada um
“NA” a necessidade de fazer alguma coisa para mudar de vida.

Deixo tudo isto à reflexão e consideração de cada qual.

E isto também.
@DPSM

sábado, janeiro 15, 2011

F

Era rezingona e engraçada nos seus 52 anos. Pedia SOS à noite porque não conseguia dormir. Tinha a boca seca e queixava-se das ampolas. Foi de fim de semana a casa pagar a água e a luz. Estava muito melhor e ia ter alta para cuidar da mãe.
Mas no dia 14 já não tomou pequeno almoço, nem voltou a acordar. Parou.

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Uma semana

Uma semana passou. Uma semana de quase tudo um pouco, porque afinal estamos no ALL(most)garve.

Vinda de cima, ainda Domingo, fui logo ver uma casa e apalavrei-a. Mentalmente decidi que seria aquela. Quem não vive no seu lugar, não vive tanto, e ter casa parecia-me crucial e urgente para bem viver.
Sendo assim, vivo praticamente em frente à Estação de Comboios, mais precisamente no Largo de Camões num T1 com garagem.
Não deixa de ser irónico passar da Calçada do Combro para o Largo de Camões, uma vez que se fosse na outra cidade, corresponderia a uma mudança de 3 minutos, em vez de uma mudança de 3 horas.
Mas entre ficar e não ficar com a casa, tratar do contrato e das limpezas, ainda fiquei 3 dias hospedada numa bela casa em frente à Horta.
Voltemos a Domingo. O carro ficou logo na garagem da futura casa porque todo ele, ora era para o lado, ora era para trás, ostentava traquitangas várias que me tinham dificultado a tão arriscada condução finda em Faro. Foi-me então concedido pela intermediária abrigar o carro na dita garagem, e antes ali do que na rua, o que me resolveu logo essa dificuldade.
Mal saí pela porta da garagem, o cinzento IO esperava-me: tinham-me vindo buscar. Enquanto eles arrumavam as suas coisas, eu ia quer atrapalhando, quer pondo música, até que acabámos por nos reunir a jantar.

O dia seguinte foi o da apresentação dos Internos. Às 9h00 tínhamos que estar todos no Hospital de Faro. Após ouvirmos a apresentação do Director do Internato, cada um de nós, um a um teve que se apresentar, dizer de onde era e porque razão tinha escolhido Faro. Admitimos respostas entre o cómico e o provocatório, e fomos todos tomar café, para posteriormente nos dirigirmos a cada um dos serviços.
Já ia a manhã a meio e agarrámos na Interna de Pneumologia e lá fomos para o outro Hospital.
Saímos do Taxi e avistámos as afamadas palmeiras: era ali. No piso de baixo descobria-se a Pneumologia e no de cima a Psiquiatria. Algures no CDP separámo-nos e comparecemos perante a Directora de Serviço que, mais uma vez nos apresentou a toda a gente e explicou todas as instalações.

No primeiro dia inauguramos o Café Âncora, outro dia jantámos as duas, quais colegas de especialidade na “Adega Nortenha” na baixa, no dia seguinte foi no afamado “Rainha” com todos os Internos de Especialidade e IAC’s, e a semana encerrou com um aniversário na Vila Francesinha.
No fim-de-semana, já que estamos no ALLgarve e ainda é Inverno, foi para explorar os Shoppings!: um dia ao cinema do Forum Algarve, outro dia à Fnac do AlgarveShopping.

Embora não haja sol, nem praia, parece haver espírito.
Enquanto vai passando uma semana. Uma semana a menos. Dia após dia a mais.

segunda-feira, janeiro 03, 2011

Mudar de vida

O ano acabou e Lisboa também.
Acabou no Ateneu por entre crianças e apitos e foi dar onde as Cebolas se defrontam nos Campos. Restava acabar o Combro e a Calçada, o 52 e o seu 2º esquerdo. Faltavam as mudanças.
Era cedo na manhã de Domingo e apenas terminava os últimos preparos para erguer o carro e partir rumo ao Sul. Por entre subidas e descidas, por entre jornadas de casa ao parque, uma delas pregou mais alto e só se ouviu "Pum!"

E ali fiquei eu, do lado de fora da porta do que iria ser em breve, a minha antiga casa.
Sem chaves de casa, sem chaves do carro, sem telemóveis, sem carteira, sem dinheiro e sem casaco. Enfim, despida do essencial.
Nada haveria de estranho a contar, se tudo tivesse acontecido 5 minutos depois, e todos esses meus pertences estivessem do lado de fora da porta.
O Combro acabava quando a porta batesse e eu tivesse tudo comigo. Era assim que estava escrito e era conforme deveria ser: uma espécie de ordem ou processo natural das coisas.
Mas 5 minutos faziam e fizeram a diferença.
E eu tinha assuntos e interesses acordados em Faro dali a duas horas. Não havia tempo para brincadeirinhas desta espécie.
Mas de facto não era uma partida e após ser muito abanada, a porta não abria mesmo.
Teria que inventar um Abracadabra que por um qualquer acto de magia fosse capaz de abrir a porta?
Ora pela manhã, com as ideias nos bolsos, havia que engendrar.

Uma amiga de amigo viria em breve num par de horas a ser vizinha de baixo da minha quase antiga casa e havia que entrar em contacto com ela. Só que ali estava eu e não possuía um telemóvel.

A florista barra loja de couves do andar de baixo (onde durante aquele ano nunca lá tinha ido), era o único estabelecimento aberto nas redondezas no primeiro Domingo do ano.
Tal, parecia ser o primeiro passo de esperança de que tudo poderia vir a experimentar uma solução. Entrei na loja e ali estava ela, de caracóis negros e lábios vermelhos com um pé de alface na mão. Expliquei-lhe o que tinha acontecido. Sorriu e disse “Não falo!” Eu ainda tentei “Em English?”, ao que ela retorquiu “No. Bulgaria.”
Detinha perante mim a única pessoa que me podia ajudar, mas que não me entendia. Imitei sinais com os dedos, em jeito de marcar um número de telefone, acompanhados de sons que tentavam retratar o famoso “Trim!”. Ela entendeu, erguendo-me entre um sorriso, o seu telemóvel. Fiz uma chamada que prometia ser desencadeadora e dar lugar ao processo de contactar a futura vizinha. Fiquei de aguardar uma outra chamada. Mas era-me insuportável e impraticável conseguir esperar. Receosamente pronuncio permissão para realizar outra chamada. Fez logo sinal que sim, o telemóvel é que não. Tinha-lhe esgotado o saldo!
Pedi-lhe mil desculpas, ela afagou-me em sinal de despreocupação, compactuando com o meu sofrimento, embora não compreendesse.

Tinha que agir de outra forma. O tempo passava e a porta continuava fechada.
Lembrei-me dos vizinhos do lado. Mas o ano também tinha passado e eu nunca tinha falado com eles. Mais vale tarde do que nunca, pensei. E se havia dia, era aquele. Assim foi. Toquei à campainha e abriram-me a porta. Ali estava eu do lado de fora da porta de casa dos meus futuros ex-vizinhos do lado, porta com porta. Eram indianos, mas falavam bem Português. Simpáticos, igualmente eles me emprestaram o seu telefone. Entre chamadas, acabei por convocar os bombeiros. Agora tinha que esperar: por eles e pela polícia. Mas eles estavam a almoçar, pelo que tudo prometia demorar.
Os vizinhos indianos aprontaram-se em oferecer o seu sofá e em dar-me a provar as suas iguarias hindus. O tempo previa-se não passar. E ali estava eu: quietinha, super sentada no sofá indiano, mesmo ao lado dos vários comandos ocidentais, com os joelhos quase a ofender o armário da frente, onde entidades ancestrais indianas perfilavam perante os meus olhos e eu aprumava diante deles.
Discretamente admirava tudo o que se expressava ser a sua casa. Mesmo do outro lado da porta da minha, onde se registavam arquitecturas, interesses, sabores e odores de vidas tão distintos. E naquele último dia eu estava do outro lado, das suas mãos, do seu lugar. Teríamos sido os vizinhos mais atípicos e menos confraternizadores. Parecia irónico o ano começar assim, entendido do outro lado.

De repente avisto lá em baixo o camião dos bombeiros. Praticamente saltei do sofá. Toda eu era uma vontade imensa de terminar aquele ritual. Queria abrir a porta e poder partir.
Vieram os bombeiros e a polícia. Mas eu já não tinha nada dentro de casa, nem sequer nenhum comprovativo que demonstrasse que eu morava ou teria morado ali.
Ninguém sabia como podia ou não agir. Era necessário cumprir protocolos e leis.

Poderia não ter batido a porta? Poderia não ter começado aquele primeiro Domingo assim?

Podia, mas não tinha sido a mesma coisa.
E a porta abriu-se!