Sendo que a Polónia é um país frio e 31 de Janeiro ainda se inclui na estação do Inverno, em ambiente animado entre armários e amigos foi traçado o destino: Club Obiekt.
Embora experiências anteriores aí, me tivessem revelado que "sal faz dores de cabeça", longe estava de adivinhar que pagar no bengaleiro para te guardarem um casaco, não é necessariamante sinónimo que no final da noite o possas reaver.
Para o comum ocidental seria normal considerar que, uma vez finda a música, diriges-te descansadamente para a saída, pegando no teu casaco (que lá fora faz frio) e arranjando algum meio de transporte que te permita chegar a casa, para enfim, dormir.
Acontece que para o comum polaco ou indivíduo estrangeiro que esteja a pisar território de Leste, nem tudo é tão simples. Pode acontecer que quando chegas ao bengaleiro não há mais casacos - nenhum casaco! O 17 do teu amigo transforma-se num casaco sobre uma cadeira e o 2 que é o teu, nem vê-lo.
E então gerou-se o conflito Leste-oeste! Noções de vítima de furto aqui ainda são desconhecidas e todo e qualquer tipo de conhecimento de inglês esvanece-se uma vez ouvida a palavra complaint. Um discurso de defesa que apregoe as noções de direitos constitui para eles uma ameaça, sendo a sua melhor forma de resposta o ataque ao interlocutor estrangeiro com pérolas verbais como: “Your voice is hurting my ears”. A noção de furto como subtração de coisa móvel não é tão pouco conhecida. (Será que foi por considerarem que o casaco é um objecto um bocadinho imóvel?)
O staff do bar ia trocando impressões polacas, enquanto eu aguardava uma explicação do que tinha acontecido ao meu casaco e ao seu conteúdo, até finalmente admitirem o que há muito já era evidente: que não estava ali.
Entre chamar a Polícia ao local, ir no carro da polícia mais leste, até à Polícia Principal de Varsóvia mais agreste, em que nenhum dos bigodes ouviu sequer falar da existência duma língua que se chama Inglês, tudo um pouco aconteceu.
Mas não fica por aqui. Ainda tive a magnífica oferta de um desconhecido polaco que acumulava as tarefas de tentar fazer de tradutor, discutir com o polícia, dar todos os sinais de uma presente bebedeira, acompanhados por movimentos circulares na minha carteira do telefone, enquanto a punha debaixo da orelha e me dizia que através dela, eu podia telefonar para a embaixada e explicando que se eles não atendessem era porque estavam a dar uma festa!
A madrugada ganhava contornos intermináveis e apesar de todos os auxílios na procura da embaixada e de um tradutor oficial polaco, é sem dúvida um desafio apresentar neste país uma queixa.
Um Mega Jincuie Varsó à Leonor, Ana, João, Lucho e todos os que de alguma forma contribuíram para que apresentar uma queixa na Polícia em Varsóvia fosse um bocadinho menos impossível. (E isso inclui o Gui que foi à rua carregar em Coimbra o telemovel do João às 5h da manhã)
Conclusões: Isto da União Europeia e de direitos ainda é tudo um bocado novidade para estes lados e afinal não é grande medida preventiva a existência de um Durão Barroso na zona nocturna!
domingo, fevereiro 01, 2009
Subscrever:
Enviar feedback (Atom)
4 comentários:
obrigado por aqui m explicares o motivo pelo qual me tive que deslocar a uma caixa MB às 5 e tal d manhã... um bem-haja! :)
quanto ao resto... nada foi novidade, Witamy na Polska ;)
aquele beijinho na testa*
No final, não nos resta outra coisa senão rir de isto tudo.. e nisso considero-me um especialista.
Primeiro é necessário que todos saibam a verdade:
A Embaixada Portuguesa faz as melhores festas de Varsóvia... mas só no horário de expediente e com reservas por telefone, dentro do horário da função pública Polaca.
É muito importante ter um mapa pois a sua localização é tão secreta tão secreta que nem os GPS dos taxis a encontram...
2006 - 2009
Paz à sua alma!
Ass: João, o (ainda vivo) casaco 17
o que é que foi isso?!?!
Foi o que eu pensei quando tudo aconteceu! "Mas o que é isto?" Enfim já passou.
Défice: 1 casaco, um chapéu, luvas, zloties e muita paciência.
Enviar um comentário