Havia em mim um qualquer tipo de sentimento que declamava: “Ah, e tal o frio e a neve”, acompanhadas por recomendações prematuras dos progenitores de: “Ele há pessoas que partem dentes e dão cabo dos joelhos.” Só o proferir estas frases, já me parecia uma actividade radical q.b. para mim.
E num contexto destes, desde tenra idade, se avizinhava difícil a associação da minha pessoa a qualquer tipo de participação num Campeonato de Ski de saltos, piruetas, pequenas e médias curvas, ou sequer atirar-caricas-ao-ar-na-neve, que necesitasse o envolvimento de mais de um participante e que exigisse a colocação dos ditos cujos esquis.
Mas sendo Zakopane a famosa capital de Inverno da Polónia, tornou-se necessário partir para o grande vale das montanhas Tatras, 10 horas pela noite, rumo a esta celebridade a 460km sul, para experimentar deslizamentos na neve e outras proezas congéneres, ou, que é como quem diz no meu caso, familiarizar-me com a geografia de uma estância de esqui, o perfil etário e social dos indivíduos que a utilizam e o material envolvido.
Dia 1
Uma vez em Kotelnica, e sendo que não possuíamos o equipamento necessário, como bom tuga, procedemos à busca do local mais barato para o aluguer do mesmo (em que o local escolhido, requeria uns 10 euros por 3 dias). Ora bem: ou trata-se de um preço muito barato, ou o equipamento está estragado, ou eles aqui roubam os esquis uns aos outros e depois abrem lojas de aluguer. Mas resulta que não. Parece ser prática habitual este preço reduzido, uma vez que o segundo lugar da lista pedia uns 15 euros.
Ok. Vamos lá dar uma oportunidade aos materias e experimentar esquiar. Que loucura!
Mal saí da loja, tento caminhar com as botas do peso do mundo e com a traquitana dos esquis e dos paus sobre as minhas costas, e vacilei. Mais parecia estar a transportar tijolos, com os pés atados um ou outro.
Mas não me detive. O facto de nunca ter esquiado na vida, nem ter qualquer tipo de conhecimento empírico, baseado na visualização de um número suficinte de filmes cujo argumento envolvesse o esqui, o inverno e que tais, pareciam pouco atravancar o inaugurar da experimentação.
Depois de quase cair naquela subidinha quem vai apanhar o teleférico quando ainda nem sequer tinha os esquis postos, lá atirei os esquis para o chão e em constante desiquilíbrio foi necessário uma senhora atracar-me os esquis aos pés. Fui a patear, ter com as duas amigas que me esperavam para apanharmos juntas o teleférico de três.
Ora, quando vais apanhar o teleférico, abre-se a cancela e é suposto dares uns passos para cima do tapete rolante e sentares-te quando se aproximar o teleférico. Acontece que (como a Eurosport TV nunca tinha estado ligada na minha presença quando estava a dar Ski Jumping, e tão pouco estive em sintonia com qualquer tipo de documentário da National Geographic que relatasse os preliminares do esqui, isto é, o subir de teleférico) eu desconhecia essa informação.
Sendo assim, a cancela abriu, as minhas amigas andaram e eu fiquei a olhar, ora como quem olha para elas, ora como quem olha para a cancela e se pergunta: “O que é que eu faço?” E a cancela fecha e as tuas amigas vão. E a cancela volta a abrir e tu ainda estás na parte do “..faaaaççoooo?” e a cancela volta a fechar e tu ainda não foste. E entretanto já tens uma fila de polacos das diferentes regiões da Polónia a insultarem-te em frases que nem daqui a 3 meses serias capaz de perceber. Lá decides dar uns passinhos para o tal tapete e sentas-te no teleférico.
É então que olhas para o lado e percebes que não vais só. Tens uma companheira de teleférico à qual quase gritas: “I don’t ski. Help me!” Ao que me retorquiu com um sorriso: “No English”.
Estava o caldo entornado. Estás pela primeira vez na vida a subir um teleférico, as tuas amigas estão 2 teleféricos à frente, as criaturas que se visualizam ao longe na pista parecem antes tratar-se de formigas a esquiar e a tua companheira é uma polaca que não fala inglês. Perfeito!
Pensei que estava numa telenovela indiana em que o final pouco ia diferenciar se ligasse a terminação do -641 a votar “Sim” ou do -642 a votar “Não”.
Deu-me para lhe dizer no meu polaco fanhoso: “Chamo-me Mariana”. Ao que ela respondeu: “Chamo-me Eva”. Sim... não fossemos ficar amigas para a vida ou ela salvar-me de algum tipo de avalanche e eu nem sequer sabia o nome dela. Parecia-me indelicado.
Depois de uns 20 minutos em vertigem e ainda em constante negação, chegou a altura de levantarmo-nos do teleférico. Claro está que, inevitavelmente, caí e dei de queixos no chão e perdi o cartão da pista. Lá vem um segurança que me recoloca na posição vertical e me puxa pelos paus para uma zona plana, já que aqui, até patear me parecia impossível. As amigas perguntam se está tudo bem e dizem que esperam por mim. Mas como o esperar por mim, me parecia uma tarefa potencialmente interminável e como nunca fui muito corta-mocas, também não ia ser agora que ia ser corta-skies e disse para elas irem andando e não se preocuparem que eu já ia lá ter. E assim foi.
Fiquei na parte plana no cimo da pista entrecalando o patear com o cair em série, chegando inclusivé a pedir auxílio a uma mãe que estava a ensinar esqui ao seu filho de 3 anos. Até que decidi procurar alguém a sério, que me explicasse pelo menos o abc de me manter parada na posição vertical. Até que um simpático jovem me informou que “instrutores em Inglês, só para amanhã.” E acrescentou. “Muito simples. Só tens que descer e ir lá abaixo fazer a reserva.” Acontece que, o só ter que ir até lá abaixo é bem mais complexo para quem nunca teve os pés atados a uns esquis na vida. Expliquei a minha situação de handicaped e, e enquanto caminhava para o teleférico numa distância de 3 metros, em que caí umas 3 vezes, logo perceberam que o meu caso era, digamos, especial.
Lá me deixaram descer o teleférico, não fosse este pequeno diabozinho manter-se muito mais tempo a entravar a pista.
Mas enquanto descia o teleférico (creio que a única pessoa que o desceu naquele dia tinha sido uma velhota, e porque se tinha lesionado), defrontava-me com a cara das pessoas que subiam e me olhavam com ar de quem se pergunta a si mesmo: "Porquê?" Como se me tivesse sido diagnosticado algum tipo de enfermidade. Inclusivé passa uma criatura sozinha num teleférico, que não teria mais que 5 anos, e com um arzinho cínico me diz: “Bom dia!”
Dia 2
Pontualmente apareço na Szkoła Narciarska Stok à descoberta de um Instrutor em Inglês que durante uma hora fizesse o possível para desfazer estas impossibilidades. Ensinou-me a travar e a girar numa pista que incluía uma pequena descida e em que tive colegas de 4 anos que esquiavam claramente melhor que a minha pessoa.
Adquiridos os princípios teóricos, volto à pista azul do dia anterior. Já subo razoavelmente o teleférico, mas mais uma vez dou com os dentes no chão. Lá começo com a Esther a esquiar, mas não quis obrigar o comum dos mortais a esquiar à minha velocidade de tartaruga. Demorei 2h30 a fazer toda a pista imbuída numa dor de pernas que apanha ali também os braços ao levantar.
Enfim. Movia incessantemente o meu pescoço de um lado para o outro. Tentava apreciar se já tinha descido muito e se faltava ainda demasiado para terminar. Já não olhava tantas vezes para um lado e para o outro, desde que me perdi no Continente. E aí tinha 4 anos e não sabia nem onde eu estava, nem onde estava a saída do supermercado.
Pois. Foi mais ou menos igual, mas numa pista de esqui. Depois de numa das quedas, ameaçar lesar o joelho, terminei o resto da pista com os esquis às costas.
Dia 3
Está bem que não era do pé para a mão que eu ia começar a esquiar, mas descer uma vez a pista que os meus amigos desciam umas 10vezes por dia, já se apresentava como uma missão.
Desta vez subi com o Alfonso e consegui não dar com os dentes no chão quando desci do teleférico. Com a maior das paciências, me acompanhou enquanto eu desviava e também enquanto eu caía.
Independentemente da matéria em questão, qualquer tipo de façanha só é conseguida quando se tem experiência na área para facenhear.
Mas sim, a Pista Azul, eu desci!
3 comentários:
mt bem kerideiraaaaaa!!!
pah é assim mm...sku-ski! aí está a verdadeira essência deste desporto lolol é demais não é?!! parecemos meninos hehe dp de aprender a andar de bicicleta, ski foi o obstáculo seguinte =)quindi, a te solamente manca la bixii hehe probiamo?!
beijoss e a presto bella!
adorei meu postal/foto =))
Go Méri!
SURREAL!mas que quimera!
mas quem és tu,oh mestre dos skis!
até desces pistas azuis(que são PLANAS!!cof cof..!)
ja sei quem é que me vai ensinar a esquiar!!!
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