Os limites de circulação na cidade impediram-me de eleger o caminho habitual para o trabalho. Em alternativa, tento fugir aos troços cortados e aos caminhos por onde o Papa iria passar.
Porém, com o predomínio do desconhecimento exacto de quais as tais vias, foi obrigatório o Seu encontro.
Uma vez nas Amoreiras, o semáforo inesperadamente se desliga e o afluxo de carros e pessoas intensifica e abruptamente tudo pára. Claramente algo iria ali suceder, naquele sítio e naquele momento, e tendo em conta a quadra em questão, não era difícil decifrar o que seria.
Pouco depois surge um helicóptero, o que reforçou a perspicácia da conclusão. Estava assente que o Papa iria por ali passar, e que uma vez congestionados também nós iríamos ver o Papa.
Deixámos o carro e debruçámo-nos sobre o sentido onde iria aparecer. A estrada estava cortada. Como nos filmes. Não se avistava vivalma.
Inesperadamente começou a chover. Mas uma vez ali, e uma vez confinados, e sendo que iríamos ver o Papa, toda a chuva era merecida.
Passa uma moto da polícia. Passam 2. Passam 3. E bruscamente desfilavam muitas, em crescendo, assim como quem desenha um triângulo com as silhuetas das motas de polícia. E depois não sei quantos Mercedes e no meio deles uma mão acenando em concha.
Era o Papa! Tínhamos visto o Papa! Ou pelo menos a mão do Papa que se lhe adivinhava o rosto!
Tal como o Estado é laico mas há tolerância de ponto, nós não queríamos passar pelas ruas congestionadas onde por ventura fosse passar o Papa mas passámos e vimos.
Uma vez no dia 13, havia que empregar a tolerância de um modo católico que não fosse sinónimo de estar engarrafado em multidões. Por isso Fátima não podia ser.
Fomos a Mafra, ao Convento. Não havia trânsito, nem massas, nem nada. O Convento estava fechado!
Plano B? Ericeira.
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