sábado, maio 15, 2010

Vouga abaixo

A Pediatria do HSFX organizou uma descida do Rio Vouga para os seus funcionários à qual os IAC’s do CHLO, entre outros, prontamente aderiram.
O plano começou quando decidimos não ter plano e simplesmente fazer a mala e partir um dia antes, com tenda e saco cama, prontos a acampar pelo caminho, se não encontrássemos nenhuma pousada de juventude. Contudo, no decorrer do trajecto, a cidade-sabedoria interpelou-nos, o plano foi retraçado, e aí ficámos. Mas tínhamos tudo para acampar se quiséssemos!

No dia seguinte impunha-se madrugar que havia ainda que ir Vouga abaixo.
Com início em Pessegueiro do Vouga e final previsto em Sernada do Vouga, dizia-se que seria uma descida num rio diferente, com forte envolvente natural e com alguma emoção em termos de corrente do rio.



Ora, feitas as explicações iniciais sobre como manejar as pagaias e qual a função do leme e a do motor, havia que distribuir os passageiros dois a dois.
Sendo que as duas pessoas que demonstraram mais receio na canoa ficaram com quem tinha já experiência na canoagem, escusado será dizer que uma delas fui eu.

Contudo, o Enfermeiro Vítor (nome fictício) não era só uma pessoa com experiência, mas alguém que gostava de experimentar os limites por entre os verdes, ir pelos sítios com maior corrente, pelas águas bravas, sempre com grande domínio da canoa, porém induzindo o perigo e a vertigem constante ao passageiro da frente, isto é, a mim.
Já os instrutores da Transerrano (nome fictício também este) vá-se lá saber porquê, achavam muita piada em molhar as pessoas e virar as canoas ao contrário, ao invés de reconfortar os passageiros mais afrontados.
Tinha, pois, sido até então uma primeira etapa particular.



Uma vez feita a pausa para almoço, eu estava já encharcada, embora, apesar da ameaça constante, a minha canoa ainda não tivesse virado, nem sido virada, graças ao domínio do meu parceiro.
Por essa altura, momento de paragem, suspensão e descanso, sentia-me bastante saciada e satisfeita com os 8 km que tinha feito até então. Como se a minha missão já se pudesse dar por cumprida.

Ora, a amiga Joana (nome imaginário também este) estava com frio e não queria continuar, porque já ela, tinha ficado com alguém que acumulava o não dominar a canoa, com o querer ultrapassar os limites e sobrepunha já ter virado a canoa, com ter sido virada, inúmeras vezes.


Foi aí que surgiu a ideia de acabar por ali a nossa jornada.
Retorquiram-nos com provocações infindas se tínhamos a certeza que queríamos Desistir.
Desistir? Não! O que nós queríamos era acabar mais cedo aquele trilho.
Não éramos capazes de continuar? Claro que éramos. Não quisemos porque já não nos apetecia.
Éramos fraquinhas? Não, não éramos. Nem era por continuarmos o itinerário que íamos provar que éramos fortes.
Como não tínhamos que provar nada a ninguém, apesar de lançados os reptos, rematámos ali um destino diferente do grupo, uns kilómetros distintos deste, que não era por ser um rumo prévio, mas por traçarmos objectivos descoincidentes.
Podíamos ter continuado, mas preferimos não continuar.

E o que fizemos nos entretantos?
Tive a guiar o camião com os reboques das canoas. Muito melhor!

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