sexta-feira, janeiro 23, 2009

Cirurgia

Semanas diferentes.


As botas de neve são as inimigas do bloco, o Dr. Brzezinski é o mau-da-fita do excelente orientador e as colegas norueguesas aproveitam os entretantos para praticarem os seus dotes na tecelagem.
Integrada no Bloco B, as Reuniões de Serviço, bem como as rondas, apareceram 100% em polaco.
A prática clínica foi obrigada a emergir sobre outros contornos e os meus olhos começaram a reparar muito mais na avaliação do estado físico geral, do que na anamnese (lógico).
As primeiras cobaias da sutura foram as bananas. As segundas os panos. As terceiras os tão esperados pescoços polacos.
A minha presença começa a dar frutos e é engraçado ouvir de dia para dia mais um médico ou um enfermeiro a dirigir-te: Bom Dia ou Obrigado.
Quando chegam as verdadeiras (cirurgias), em todas elas pude de algum modo participar.
Seguramente, muitos estarão interessados em saber que ainda existe aqui um bloco que se encontra encerrado, por falta de enfermeiros.
É sempre uma hipótese. Ainda que seja aqui no frio e com tudo 100% em polaco.

sábado, janeiro 10, 2009

Again

Muito Porto. Toda a gente. Um bocadinho Madrid. Saudades. Pouco Ano Novo. Burnout. Via Paris. Meninos de Pavia. Chateau Rouge. Carla e Canha. Muito frio. Muita neve. Muito vento congelado. Muita guerra de neve. Anos do João.

sexta-feira, dezembro 19, 2008

domingo, dezembro 14, 2008

007

Tantas vezes
- desci a rua da Mensa e nunca vi o carro do Bond a passar
- apanhei o 9 para ir à Ferrovia e nunca tive o privilégio de levar com um salto do Bond em cima
- fui à internet ao Salicotto e não sabia que a garagem do Bond era mesmo ali ao lado
- vi umas telhas partidas em algumas casas de Siena e desconhecia a sua relação com o facto desse tal Bond ter por hábito ir para lá brincar com os inimigos a ver quem salta melhor aos telhados

quarta-feira, dezembro 10, 2008

Big People

Polonia Palace Hotel.
70 hectares pelo parque, a amiguinha turca e o colega judeu.
Zamenhof e o Esperanto.
Jewish Gueto.
Old Town, Mercado de Natal e o restaurante finex.
Sempre com muitas luvas, frio e ambar à mistura.

terça-feira, dezembro 02, 2008

Aqui e ali

É um jogo de cartas.

A rainha procura as espadas,
O valete não quer ser rei,
E o Rei já não conhece o seu baralho.

Um jogador duvidoso
Ou um parceiro despreparado?
Não há jogada.

Fecha o baralho.
Bebe.
Vira as cartas.
Fuma.
Muda de sala.

É um jogo de vícios.

sexta-feira, novembro 21, 2008

Pneumo e Cardio

E nisto surge uma velhota loira a gritar: "Natchnienie! Nnnnnaaaaatttccchhhinnniieee!" (Que é como quem diz inspire!) "Wygaśnięcia! Wyyyyyygasnniiiiieeeciaaaaaa!" (Que é como quem diz expire!)
Mas isto ao vivo sem a devida tradução consegue ser assustador.
E depois vieram os sons como: Tum waaaaaaa e tum tum rum.

segunda-feira, novembro 17, 2008

Ucrânia

A viagem pela noite oscilou entre um agressivo jantar (numa cabana às 2h00 da manhã), uma espera de 4 horas na fronteira (enquanto íamos sendo revistados por militares ucraniânicos com seu ar altamente suspeito), um motorista super castiço (que dizia graçolas em polaco e ria-se sozinho ao microfone, lutando por um lugar no ranking das ultrapassagens mais arriscadas), fazendo-se acompanhar de uma organizadora polaca (que punha música house desde leste a oeste em consonância com o piscar das luzes do próprio autocarro e louca gritava: "Hoje ninguém dorme!").
Chegámos a Lviv, cidade-berço do pioneiro do Masoquismo, que desde a Ópera ao centro histórico, em tudo nos contemplava o seu alfabeto difícilmente decifrável, baseado no cirílico.
O Millenium e o Metro foram literalmente palco do ambiente Erasmus on tour pela Ucrânia que, desnecessário será dizer, ainda não conhece este espírito.
Fomos a 1 Cemitério e 3 Castelos: o da Casa-poço, o local onde se fazem os vídeos dos casamentos dos ucranianos (enfim!) e um (finalmente) lindíssimo, mas muito destruído.
Foi translocar o ambiente polaco e pôr tudo muito mais lá atrás e geograficamente à direita (ou antes muito mais às esquerdas?)

terça-feira, novembro 11, 2008

Short People

Com a chegada do Hugolino entre cervejas, kebabs ambulantes e polacas loucas, veio o descobrir Varsovia.
Short people by night: Harlem, Luzztro, Klub Kawiarnia (oh yeah! :), Lemon e Club Mirage.
Pessoas perdidas by day: cafés por sitios interessantes, Old Town, Royal Castele, Palácio sobre a Agua, tentativa de Willanow (voltinhas pelo autocarro parte 1), mas melhor ainda é o não encontrar diário da saida certa nas catacumbas de Varsovia e andar as voltinhas a pé parte 2.
Mas ainda que não esteja sempre lá muito orientada e te faca comer zapiekankas com microbios, até sou uma erasmica decente. Ou preferes telefonar ao Piotr?

segunda-feira, novembro 03, 2008

De Torun a Gdansk

A aventura começou com os bilhetes deixados na mini-mercearia que cedo puseram em risco o potencial de existirem todas estas peripécias. Após uma breve passagem por Kutno e a cubana, lá chegamos a Torun. Visitámos a Casa do Copérnico, a Torre Inclinada, a Old Town em geral e acabámos o dia percorrendo os Bares nas caves.
Seguimos para Malbork com a noite na escola agitada e o seu Castelo (é o maior Castelo do Mundo em tijolo!)
Abraçámos Gdansk juntando-nos aos restantes. Entre o Grande Moinho, a Porta Verde, Dourada e da Montanha, Ulica Dugla, Dugli Targ e o Neptuno, avizinhámos o Halloween mais surreal de todos os tempos!

E prosseguimos para Gydnia que tirando dois barcos e um dragão não é das obras de arte do Báltico que mais se aprecie.
Eis que chegámos ao destino final: Sopot! E não há nada como terminar uma grande viagem com uma grande maluqueira: a banhos no mar Báltico!

quarta-feira, outubro 29, 2008

Hemato

Hematologia e as aventuras da Biópsia de Medula Óssea entre aniversário e que tais.

segunda-feira, outubro 20, 2008

Kraków e Auschwitz

Cracóvia. Cada Vez. Collegium. Mercado de Tecidos. Igreja de Santa Maria. Torre da Câmara Municipal. Carpe Diem 2. Kitsch. Indiano.

Auschwitz-Birkenau.

sexta-feira, outubro 17, 2008

Multi cenas

O WOW Festival (Wielkie Otrzesiny Warszawy) é uma espécie de Rally das Tascas organizado, em que por 20 zloties (6 euros) podes entrar em 21 discotecas. Uma noite muito interessante para conhecer estudantes (Erasmus everywhere, polacos e inclusivé mais italianos e portuenses!). Organza, Surf e o Zoo foram as apuradas para marcar presença.

Para assistir ao 24th Warsaw International Film Festival, o italiano Caos Calmo foi o escolhido. Trata-se de um filme de Antonello Grimaldi (com legendas em inglês e em polaco para os demais) sobre um empresário de sucesso (Nanni Moretti) que no mesmo dia em que salva uma mulher de afogar-se, vê a sua mulher morrer. O seu percurso mental e emocional transfigura-se em comportamentos bizzarros até perceber que o seu exílio temporário não pode ser o seu modo de vida. Tudo isto com direito a turtúlia no final com o Realizador no Multikino Zloty Tarasy. (E eu fiz uma pergunta em italiano!)

terça-feira, outubro 14, 2008

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terça-feira, outubro 07, 2008

Turismovsky


Eu mais o Copérnico na Praçovsky dele.


Têm muito sentido de humor os polacos.
Até têm uma Praça com uma Palmeira Falsa, que é para quem não acredita que os graus negativos da Polónia deixariam uma palmeira resistir em pé.


Palácio da Cultura e da Ciência (o conhecido "Russian Wedding Cake")
É o edifício mais odiado pelos polacos porque foi construído pelos russos depois da Segunda Guerra. Mas ainda assim é dos meu sítios preferidos.

segunda-feira, setembro 29, 2008

Aventura na Polska

Comecei o novo dia-a-dia por ir ao Arkadia (o Shopping aqui do sítio) comprar algumas coisitas necessárias. Acontece que aqui as coisitnys necessaritsny têm nomes completamente diferentes dos "latinos". Só dou graças a Deus por as marcas serem iguais, senão não ia conseguia destinguir uma pasta de dentes de um creme depilador.
Mesmo os nomes internacionais são muito enganadores. O Tortilla Factory trata-se de um bar e não de um restaurante e a Klinika também não é um Hospital mas sim uma discoteca.
No que toca a provar iguarias polacas, experimentei as "pirocas" num jantar onde 10 raparigas de medicina socializavam com 50 rapazes de engenharia, uma verdadeira FEUP versão polónia.
Já tenho quarto: é o 212 (Carolina Herrera, como dizem as meninas daqui)!
E tambem já tenho um cartão polaco: HEYAH (não, a serio, é o nome da rede)

sexta-feira, setembro 26, 2008

Warszawa

Vim!
Depois de uma boa dose de sorte no que se refere ao excesso de peso no Porto e uma passagem muito familiar por Milão, aterrei no aeroporto Frederic Chopin.
O amigo polaco que me ia buscar nunca mais aparecia quando descobri 3 espanhóis com muitas malas e igualmente "perdidos".
Por fim chegou o meu amigo e com ele atravessei Varsóvia por todos os meios possíveis de transporte (metro, tram-via e autocarro) com 2 malas gigantes, que ainda assim vinham acompanhadas por um saco.
Quando encontrámos a residência Karolkowa não havia quarto para mim e decidiram enfiar-me num quarto quádruplo com uma provável conquilina da Malásia.
Após um Varsovia "by night" (a sua cerveja e o seu kebab) descubro que a oriental tinha-se transformado em duas polacas e uma espanhola que ficou logo toda contente quando comecei a hablar .
Já fui à Universidade de Medicina(!) Sim, têm uma Universidade com várias Faculdades de Medicina e não havia filas para nada. Ali estavam 3 funcionárias a tratar só e apenas dos meus papéis Erasmus.
Não se assustem que aqui "Uwaga" é Atenção e "Dziekuje" é Obrigada.
Estão a ver o quão eu não percebo mesmo nada do que esta gente diz! 8)

quinta-feira, setembro 25, 2008

A escolha

Todas as cores são belas,
Todas as formas são boas,
Todos os suportes são adequados.
Resta decidir o formato.

Bernard Villers

domingo, setembro 21, 2008

quinta-feira, setembro 11, 2008

Cisões

Tinhas esse andar decidido de quem anda à procura do que não sabe.
Não havia varandas, nem cafés, nem cigarros. E agora ouço vespas e zumbidos esquesitos de uma frequência que já não é assim. Se soubesses ao menos que música é esta. Nem sequer sabes o que estou a ouvir.
Que mais hei-de eu fazer ou não fazer? É um desespero que reconhece os seus limites. Um equilíbrio desalinhado. Mas sabes que não existe? São manchas que desaparecem com o tempo. Apenas resta a maçaneta dourada que abre a porta verde e range.
O silêncio cobre-me outra vez e eu já não tenho corpo suficiente para aguentar com este peso. Só quero um bater de pestanas cada vez mais lento, até deixar de ver que aquelas formas já não estão. Nem sequer aquelas. Nem isto.
Não. Preciso gritar mais alto que estas regras que me regulam.