quarta-feira, julho 07, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
São João
Um dia sonhei que um grande balão pairava num terraço.
Sonhei que todas as suas cores hesitavam entre pousar ou avançar.
Às vezes parecia tratar-se de um jogo dirigido.
Mas não, porque os balões obedecem aos ventos.
Às vezes sujeito a mais tempestades, outras vezes com um rumo mais ameno.
Se calhar tinha vindo duma fogueira.
Se calhar tinha passado bem perto de um fogo-de-artifício.
Se calhar, às vezes, o balão desentendia-se com aquele terraço.
Mas entre aquele meu terraço e aquele teu balão havia sempre pontos de passagem naquela viagem.
Se calhar afinal, até era guiado, não pelos ventos, mas por ti.
Se calhar ia até aos céus levar sorrisos, juntamente com lágrimas.
Se calhar era por isso que o balão não descansava de ali pairar,
E se calhar era por isso que não queria ali descer.
Sabes, se calhar não.
Sonhei que todas as suas cores hesitavam entre pousar ou avançar.
Às vezes parecia tratar-se de um jogo dirigido.
Mas não, porque os balões obedecem aos ventos.
Às vezes sujeito a mais tempestades, outras vezes com um rumo mais ameno.
Se calhar tinha vindo duma fogueira.
Se calhar tinha passado bem perto de um fogo-de-artifício.
Se calhar, às vezes, o balão desentendia-se com aquele terraço.
Mas entre aquele meu terraço e aquele teu balão havia sempre pontos de passagem naquela viagem.
Se calhar afinal, até era guiado, não pelos ventos, mas por ti.
Se calhar ia até aos céus levar sorrisos, juntamente com lágrimas.
Se calhar era por isso que o balão não descansava de ali pairar,
E se calhar era por isso que não queria ali descer.
Sabes, se calhar não.
domingo, junho 13, 2010
Marrocos
Dia 1
Aquecimento. Recepção IAC em Faro na Villa Francesinha. Dormir com almofadas no sofá.
Dia 2
Rumo a Espanha. Algeciras. Afinal, Tarifa.
Travessia até Tânger. Procura de carro para alugar. Aeroporto. Acampar por entre as árvores do estacionamento. Quando muda o turno afinal não podemos. Acampar dentro. Detectores de metais sempre desligados ou então a apitar. Mas de qualquer das formas, é sempre indiferente. Apitar ou não apitar. Tirar ou não tirar.
Dia 3
Alugar carro e jipe. Negociar. Afrique rent-a-car. Ir perguntar ao do lado. Carros aqui? No hay! Concretizar o acto.
Tétouan. A Medina. O marroquino. A cooperativa dos tapetes. Tapetes contra a Rinite Alérgica. A marcação dos cuscus e dos tagines. A descoberta do Ali baba. A pressa, mata. Só mais uma Farmácia não! Queremos comer. Cuscus na sauna com joelhos a suar na toalha.
Chefchaouen.
Busca do Hostel. Pita simula bater a Mel e espanta população indígena. Hotel das cervejas. A Praça. Jantar com Vinho. O Terraço. 
Dia 4
Hotel das Cervejas. A Praça. Bis. Bis. Place Uta el-Hammam. Mesquita de Kasbah. Com tanto calor em Marrocos, o meu sítio preferido é a prisão que está fresquinha. Lavar os Tapetes. Pôr os pés na água. O creme de há 3 dias que se espalhava esquisito, afinal era gel de banho!

Equipas estabelecidas: corninho 1.6 e Trambolho. E muitas intervenções estúpidas.
O que voa e é preto ou são os mosquitos ou o batman!
Chegada a Fez. É agora o Festival Internacional de Música. Sacra. Pelo menos não é o Festival de Música Coccígea. Jantar no Terraço. Dormir no Terraço em frente.
Dia 5
Pequeno-almoço no Terraço. O Guia Misura das 4 mulheres e 24 filhos. Passeios na Medina. Tanques com tintas.
Palácio Real. Chá de Hortelã. Farmácia. Demonstrações anti-sinusite.
Pãoquecas que não são salgadas nem doces, mas são bem bouas.
Mais intervenções estúpidas. Se La é não, Alá é anão. E inchalá era para ele ficar maior.
Tentativa de ir a banhos. As muçulmanas ali a fazer merendas.
Grande Jantarada no Hotel.
Dia 6
Caminhos difíceis pelo Atlas.
A água do carro abre sozinha e bate no nariz e em vez de gelo, a coisa mais fresca que se tem é uma maçã. Meninos a pedir água.
Cascadas de Ouzoud. Caminhos íngremes. Acampar em frente às cascadas. Durante a noite com lanternas. A casa de banho e o burro.

Dia 7
Acordar nas Cascadas. Tomar banho na argila. A casa dos Berberes. Chá e pão e cabras berberes. Atravessar o Atlas. Os meninos que aparecem do nada e levam canetas e toalhitas. O chouriço que tinha o limite da lata e era rebelde ao canivete.
Ouazazate. O Sr. simpático do Turismo que não leva nada e explica tudo.
A Caminho do Oásis Finnt para ver o pôr-do-sol. Atravessar caminhos de água com o carro e com o jipe. Empurrar o carro.
Músicas marroquinas na rádio. La la la Marrakesch? Ai não é o que diz? Então e esta do És tão boa ta na na na.
Jantar com as estrelas como o céu. Jogos até as tantas. Dormir em Palacete no Oásis.
Dia 8
Brincar aos rallys nos descampados. 43 graus registados.
Filmagens: Ecla Studios. O carro fica entalado na areia. Cavar com a pá.
Dia 9
Marrakech. Kebab. Tchizebrager. O riat.
Mercado.
Comer no Terraço. Mesquita. Peripécias no Mercado.
Ida a banhos Hammams. Jantar no Mercado. Quem faz a conta são os Tugas.
Dia 10
Auto-estrada. Estação de serviço de gasolina com salas para rezar para homens e para mulheres que são confundidas com casas de banho.
Moulay bousselem.
Restaurante L’Ocean. O Oligofrénico. Já não há calamares. Ou havia pouquinhos. O apartamento.
Dia 11
Pequeno-almoço.
Rumo a Tânger. Rumo a entregar o carro. Rumo à chuva. Rumo a Espanha, a Portugal, a Faro e ao Santo António.
Aquecimento. Recepção IAC em Faro na Villa Francesinha. Dormir com almofadas no sofá.
Dia 2
Rumo a Espanha. Algeciras. Afinal, Tarifa.
Dia 3
Alugar carro e jipe. Negociar. Afrique rent-a-car. Ir perguntar ao do lado. Carros aqui? No hay! Concretizar o acto.
Tétouan. A Medina. O marroquino. A cooperativa dos tapetes. Tapetes contra a Rinite Alérgica. A marcação dos cuscus e dos tagines. A descoberta do Ali baba. A pressa, mata. Só mais uma Farmácia não! Queremos comer. Cuscus na sauna com joelhos a suar na toalha.
Chefchaouen.
Dia 4
Hotel das Cervejas. A Praça. Bis. Bis. Place Uta el-Hammam. Mesquita de Kasbah. Com tanto calor em Marrocos, o meu sítio preferido é a prisão que está fresquinha. Lavar os Tapetes. Pôr os pés na água. O creme de há 3 dias que se espalhava esquisito, afinal era gel de banho!
Equipas estabelecidas: corninho 1.6 e Trambolho. E muitas intervenções estúpidas.
O que voa e é preto ou são os mosquitos ou o batman!
Chegada a Fez. É agora o Festival Internacional de Música. Sacra. Pelo menos não é o Festival de Música Coccígea. Jantar no Terraço. Dormir no Terraço em frente.
Dia 5
Pequeno-almoço no Terraço. O Guia Misura das 4 mulheres e 24 filhos. Passeios na Medina. Tanques com tintas.
Mais intervenções estúpidas. Se La é não, Alá é anão. E inchalá era para ele ficar maior.
Tentativa de ir a banhos. As muçulmanas ali a fazer merendas.
Grande Jantarada no Hotel.
Dia 6
Caminhos difíceis pelo Atlas.
Cascadas de Ouzoud. Caminhos íngremes. Acampar em frente às cascadas. Durante a noite com lanternas. A casa de banho e o burro.
Dia 7
Acordar nas Cascadas. Tomar banho na argila. A casa dos Berberes. Chá e pão e cabras berberes. Atravessar o Atlas. Os meninos que aparecem do nada e levam canetas e toalhitas. O chouriço que tinha o limite da lata e era rebelde ao canivete.
Ouazazate. O Sr. simpático do Turismo que não leva nada e explica tudo.
A Caminho do Oásis Finnt para ver o pôr-do-sol. Atravessar caminhos de água com o carro e com o jipe. Empurrar o carro.
Jantar com as estrelas como o céu. Jogos até as tantas. Dormir em Palacete no Oásis.
Dia 8
Brincar aos rallys nos descampados. 43 graus registados.
Filmagens: Ecla Studios. O carro fica entalado na areia. Cavar com a pá.
Dia 9
Marrakech. Kebab. Tchizebrager. O riat.
Mercado.
Comer no Terraço. Mesquita. Peripécias no Mercado.
Dia 10
Auto-estrada. Estação de serviço de gasolina com salas para rezar para homens e para mulheres que são confundidas com casas de banho.
Moulay bousselem.
Restaurante L’Ocean. O Oligofrénico. Já não há calamares. Ou havia pouquinhos. O apartamento.
Dia 11
Pequeno-almoço.
Rumo a Tânger. Rumo a entregar o carro. Rumo à chuva. Rumo a Espanha, a Portugal, a Faro e ao Santo António.
quarta-feira, junho 02, 2010
Pediatria pode ser
"Este menino não tem nada, mas veio aqui ao Hospital ver se apanhava alguma coisa."
"Para essas dores, o melhor é aguentoterapia."
"Ó doutora, se for explicar o exame a cada criança, demora 2 horas por doente."
"Ora mostra lá a boca. Deixa lá ver o Noddy. Não deixas?
Olha, vou ver o Noddy que está na boca da mãe.
Vês? Não dói!"
"Sabes respirar pela boca?"- dizia para uma criança de menos de 1 ano "Vês, é assim!" fazendo a tal imitação que simulava um arfar que mais parecia o de um cão.
"Então tu ainda não percebeste que já não estás no Serviço de Obstetrícia?
As manobras fazem-se às crianças ou andas a fazer Ortolanis às mães?"
"Quem são os responsáveis pela fornada de gigantes que houve nas últimas 3 semanas no Hospital?
Então a doutora não viu que tinham todos 4 cm a mais?
Como é que eles podiam estar mais pequenos no dia a seguir a nascerem?"
"Quem foi o menino que pôs 60 cm de Perímetro Cefálico no Boletim?"
"Olha, tu vestes as crianças? É que eu estava ali a atrofiar com um babygrow cheio de botões e pousei-o por cima do bebé como se fosse uma manta."
"Para essas dores, o melhor é aguentoterapia."
"Ó doutora, se for explicar o exame a cada criança, demora 2 horas por doente."
"Ora mostra lá a boca. Deixa lá ver o Noddy. Não deixas?
Olha, vou ver o Noddy que está na boca da mãe.
Vês? Não dói!"
"Sabes respirar pela boca?"- dizia para uma criança de menos de 1 ano "Vês, é assim!" fazendo a tal imitação que simulava um arfar que mais parecia o de um cão.
"Então tu ainda não percebeste que já não estás no Serviço de Obstetrícia?
As manobras fazem-se às crianças ou andas a fazer Ortolanis às mães?"
"Quem são os responsáveis pela fornada de gigantes que houve nas últimas 3 semanas no Hospital?
Então a doutora não viu que tinham todos 4 cm a mais?
Como é que eles podiam estar mais pequenos no dia a seguir a nascerem?"
"Quem foi o menino que pôs 60 cm de Perímetro Cefálico no Boletim?"
"Olha, tu vestes as crianças? É que eu estava ali a atrofiar com um babygrow cheio de botões e pousei-o por cima do bebé como se fosse uma manta."
sexta-feira, maio 28, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
Grizzly Bear
@Coliseu dos Recreios
De lá de cima, para a fila mesmo atrás.
Todos os joelhos me tocam até alguém enganado trocar de lugar.
E mesmo no fim, apenas a 5 cabeças de distância!
Que inteligente tudo. Mesmo muito bom.
segunda-feira, maio 17, 2010
Runaway
"what makes you think I’m enjoyin' being led to the flood
We got another thing comin' undone
That’s taking forever
We don't bleed when we don't fight"
sábado, maio 15, 2010
Vouga abaixo
A Pediatria do HSFX organizou uma descida do Rio Vouga para os seus funcionários à qual os IAC’s do CHLO, entre outros, prontamente aderiram.
O plano começou quando decidimos não ter plano e simplesmente fazer a mala e partir um dia antes, com tenda e saco cama, prontos a acampar pelo caminho, se não encontrássemos nenhuma pousada de juventude. Contudo, no decorrer do trajecto, a cidade-sabedoria interpelou-nos, o plano foi retraçado, e aí ficámos. Mas tínhamos tudo para acampar se quiséssemos!
No dia seguinte impunha-se madrugar que havia ainda que ir Vouga abaixo.
Com início em Pessegueiro do Vouga e final previsto em Sernada do Vouga, dizia-se que seria uma descida num rio diferente, com forte envolvente natural e com alguma emoção em termos de corrente do rio.

Ora, feitas as explicações iniciais sobre como manejar as pagaias e qual a função do leme e a do motor, havia que distribuir os passageiros dois a dois.
Sendo que as duas pessoas que demonstraram mais receio na canoa ficaram com quem tinha já experiência na canoagem, escusado será dizer que uma delas fui eu.
Contudo, o Enfermeiro Vítor (nome fictício) não era só uma pessoa com experiência, mas alguém que gostava de experimentar os limites por entre os verdes, ir pelos sítios com maior corrente, pelas águas bravas, sempre com grande domínio da canoa, porém induzindo o perigo e a vertigem constante ao passageiro da frente, isto é, a mim.
Já os instrutores da Transerrano (nome fictício também este) vá-se lá saber porquê, achavam muita piada em molhar as pessoas e virar as canoas ao contrário, ao invés de reconfortar os passageiros mais afrontados.
Tinha, pois, sido até então uma primeira etapa particular.

Uma vez feita a pausa para almoço, eu estava já encharcada, embora, apesar da ameaça constante, a minha canoa ainda não tivesse virado, nem sido virada, graças ao domínio do meu parceiro.
Por essa altura, momento de paragem, suspensão e descanso, sentia-me bastante saciada e satisfeita com os 8 km que tinha feito até então. Como se a minha missão já se pudesse dar por cumprida.
Ora, a amiga Joana (nome imaginário também este) estava com frio e não queria continuar, porque já ela, tinha ficado com alguém que acumulava o não dominar a canoa, com o querer ultrapassar os limites e sobrepunha já ter virado a canoa, com ter sido virada, inúmeras vezes.

Foi aí que surgiu a ideia de acabar por ali a nossa jornada.
Retorquiram-nos com provocações infindas se tínhamos a certeza que queríamos Desistir.
Desistir? Não! O que nós queríamos era acabar mais cedo aquele trilho.
Não éramos capazes de continuar? Claro que éramos. Não quisemos porque já não nos apetecia.
Éramos fraquinhas? Não, não éramos. Nem era por continuarmos o itinerário que íamos provar que éramos fortes.
Como não tínhamos que provar nada a ninguém, apesar de lançados os reptos, rematámos ali um destino diferente do grupo, uns kilómetros distintos deste, que não era por ser um rumo prévio, mas por traçarmos objectivos descoincidentes.
Podíamos ter continuado, mas preferimos não continuar.
E o que fizemos nos entretantos?
Tive a guiar o camião com os reboques das canoas. Muito melhor!
O plano começou quando decidimos não ter plano e simplesmente fazer a mala e partir um dia antes, com tenda e saco cama, prontos a acampar pelo caminho, se não encontrássemos nenhuma pousada de juventude. Contudo, no decorrer do trajecto, a cidade-sabedoria interpelou-nos, o plano foi retraçado, e aí ficámos. Mas tínhamos tudo para acampar se quiséssemos!
No dia seguinte impunha-se madrugar que havia ainda que ir Vouga abaixo.
Com início em Pessegueiro do Vouga e final previsto em Sernada do Vouga, dizia-se que seria uma descida num rio diferente, com forte envolvente natural e com alguma emoção em termos de corrente do rio.
Ora, feitas as explicações iniciais sobre como manejar as pagaias e qual a função do leme e a do motor, havia que distribuir os passageiros dois a dois.
Sendo que as duas pessoas que demonstraram mais receio na canoa ficaram com quem tinha já experiência na canoagem, escusado será dizer que uma delas fui eu.
Contudo, o Enfermeiro Vítor (nome fictício) não era só uma pessoa com experiência, mas alguém que gostava de experimentar os limites por entre os verdes, ir pelos sítios com maior corrente, pelas águas bravas, sempre com grande domínio da canoa, porém induzindo o perigo e a vertigem constante ao passageiro da frente, isto é, a mim.
Já os instrutores da Transerrano (nome fictício também este) vá-se lá saber porquê, achavam muita piada em molhar as pessoas e virar as canoas ao contrário, ao invés de reconfortar os passageiros mais afrontados.
Tinha, pois, sido até então uma primeira etapa particular.
Uma vez feita a pausa para almoço, eu estava já encharcada, embora, apesar da ameaça constante, a minha canoa ainda não tivesse virado, nem sido virada, graças ao domínio do meu parceiro.
Por essa altura, momento de paragem, suspensão e descanso, sentia-me bastante saciada e satisfeita com os 8 km que tinha feito até então. Como se a minha missão já se pudesse dar por cumprida.
Ora, a amiga Joana (nome imaginário também este) estava com frio e não queria continuar, porque já ela, tinha ficado com alguém que acumulava o não dominar a canoa, com o querer ultrapassar os limites e sobrepunha já ter virado a canoa, com ter sido virada, inúmeras vezes.
Foi aí que surgiu a ideia de acabar por ali a nossa jornada.
Retorquiram-nos com provocações infindas se tínhamos a certeza que queríamos Desistir.
Desistir? Não! O que nós queríamos era acabar mais cedo aquele trilho.
Não éramos capazes de continuar? Claro que éramos. Não quisemos porque já não nos apetecia.
Éramos fraquinhas? Não, não éramos. Nem era por continuarmos o itinerário que íamos provar que éramos fortes.
Como não tínhamos que provar nada a ninguém, apesar de lançados os reptos, rematámos ali um destino diferente do grupo, uns kilómetros distintos deste, que não era por ser um rumo prévio, mas por traçarmos objectivos descoincidentes.
Podíamos ter continuado, mas preferimos não continuar.
E o que fizemos nos entretantos?
Tive a guiar o camião com os reboques das canoas. Muito melhor!
sexta-feira, maio 14, 2010
Pelo Papa
O Papa visita Portugal para presidir às celebrações do 13 de Maio em Fátima. O Estado é laico e como tal os funcionários públicos têm tolerância de ponto.
Os limites de circulação na cidade impediram-me de eleger o caminho habitual para o trabalho. Em alternativa, tento fugir aos troços cortados e aos caminhos por onde o Papa iria passar.
Porém, com o predomínio do desconhecimento exacto de quais as tais vias, foi obrigatório o Seu encontro.
Uma vez nas Amoreiras, o semáforo inesperadamente se desliga e o afluxo de carros e pessoas intensifica e abruptamente tudo pára. Claramente algo iria ali suceder, naquele sítio e naquele momento, e tendo em conta a quadra em questão, não era difícil decifrar o que seria.
Pouco depois surge um helicóptero, o que reforçou a perspicácia da conclusão. Estava assente que o Papa iria por ali passar, e que uma vez congestionados também nós iríamos ver o Papa.
Deixámos o carro e debruçámo-nos sobre o sentido onde iria aparecer. A estrada estava cortada. Como nos filmes. Não se avistava vivalma.
Inesperadamente começou a chover. Mas uma vez ali, e uma vez confinados, e sendo que iríamos ver o Papa, toda a chuva era merecida.
Passa uma moto da polícia. Passam 2. Passam 3. E bruscamente desfilavam muitas, em crescendo, assim como quem desenha um triângulo com as silhuetas das motas de polícia. E depois não sei quantos Mercedes e no meio deles uma mão acenando em concha.
Era o Papa! Tínhamos visto o Papa! Ou pelo menos a mão do Papa que se lhe adivinhava o rosto!
Tal como o Estado é laico mas há tolerância de ponto, nós não queríamos passar pelas ruas congestionadas onde por ventura fosse passar o Papa mas passámos e vimos.
Uma vez no dia 13, havia que empregar a tolerância de um modo católico que não fosse sinónimo de estar engarrafado em multidões. Por isso Fátima não podia ser.
Fomos a Mafra, ao Convento. Não havia trânsito, nem massas, nem nada. O Convento estava fechado!
Plano B? Ericeira.
Os limites de circulação na cidade impediram-me de eleger o caminho habitual para o trabalho. Em alternativa, tento fugir aos troços cortados e aos caminhos por onde o Papa iria passar.
Porém, com o predomínio do desconhecimento exacto de quais as tais vias, foi obrigatório o Seu encontro.
Uma vez nas Amoreiras, o semáforo inesperadamente se desliga e o afluxo de carros e pessoas intensifica e abruptamente tudo pára. Claramente algo iria ali suceder, naquele sítio e naquele momento, e tendo em conta a quadra em questão, não era difícil decifrar o que seria.
Pouco depois surge um helicóptero, o que reforçou a perspicácia da conclusão. Estava assente que o Papa iria por ali passar, e que uma vez congestionados também nós iríamos ver o Papa.
Deixámos o carro e debruçámo-nos sobre o sentido onde iria aparecer. A estrada estava cortada. Como nos filmes. Não se avistava vivalma.
Inesperadamente começou a chover. Mas uma vez ali, e uma vez confinados, e sendo que iríamos ver o Papa, toda a chuva era merecida.
Passa uma moto da polícia. Passam 2. Passam 3. E bruscamente desfilavam muitas, em crescendo, assim como quem desenha um triângulo com as silhuetas das motas de polícia. E depois não sei quantos Mercedes e no meio deles uma mão acenando em concha.
Era o Papa! Tínhamos visto o Papa! Ou pelo menos a mão do Papa que se lhe adivinhava o rosto!
Tal como o Estado é laico mas há tolerância de ponto, nós não queríamos passar pelas ruas congestionadas onde por ventura fosse passar o Papa mas passámos e vimos.
Uma vez no dia 13, havia que empregar a tolerância de um modo católico que não fosse sinónimo de estar engarrafado em multidões. Por isso Fátima não podia ser.
Fomos a Mafra, ao Convento. Não havia trânsito, nem massas, nem nada. O Convento estava fechado!
Plano B? Ericeira.
quarta-feira, maio 05, 2010
sexta-feira, abril 30, 2010
Obstetrícia
Pretendia-se desenvolver normas de conduta clínica no âmbito da obstetrícia, imprescindíveis à formação básica, e que seriam úteis no futuro em qualquer área de diferenciação. Ou pelo menos pareceu-me ser esse o objectivo.
A gravidez, e o parto foram as sublimes realidades contempladas e com as quais iniciei a vivência hospitalar no corrente ano no HSFX.
O que trago deste Estágio?
Uma afeição pela obstetrícia, pelo conceito teórico e prático de “por vida no mundo”, a percepção de uma vida profissional dedicada à saúde materno-fetal, uma maior simpatia pela cirurgia, um grande apreço pelo Hospital, pelos colegas, pelas instalações, pela localização e pela vista. E vá, pelo horário!
A gravidez, e o parto foram as sublimes realidades contempladas e com as quais iniciei a vivência hospitalar no corrente ano no HSFX.
O que trago deste Estágio?
Uma afeição pela obstetrícia, pelo conceito teórico e prático de “por vida no mundo”, a percepção de uma vida profissional dedicada à saúde materno-fetal, uma maior simpatia pela cirurgia, um grande apreço pelo Hospital, pelos colegas, pelas instalações, pela localização e pela vista. E vá, pelo horário!
terça-feira, abril 27, 2010
segunda-feira, abril 26, 2010
Os Cravos
Na época das comemorações do 25 de Abril impõe-se meditar.
Reflectir sobre o significado do Cravo Vermelho.
Ponderar a sua localização estratégica no cano das espingardas.
Congeminar que desde esses dias eclodiu o sentimento revolucionário.
E imaginar que assim desabrochou o movimento que derrubou o regime ditatorial herdado.
Depois de meditares sobre todas estas temáticas, aí sim, recomenda-se visitar o Palácio Nacional de Belém e aconselha-se percorrer o Quartel do Carmo.
(Outros relatos/sugestões aceitam-se, mas só em Abril.)
Reflectir sobre o significado do Cravo Vermelho.
Ponderar a sua localização estratégica no cano das espingardas.
Congeminar que desde esses dias eclodiu o sentimento revolucionário.
E imaginar que assim desabrochou o movimento que derrubou o regime ditatorial herdado.
Depois de meditares sobre todas estas temáticas, aí sim, recomenda-se visitar o Palácio Nacional de Belém e aconselha-se percorrer o Quartel do Carmo.
(Outros relatos/sugestões aceitam-se, mas só em Abril.)
terça-feira, abril 20, 2010
Instrumentar
"-Está a jorrar sangue
-Foram atingidas as uterinas
-Passa a hemostática
-Segura no Farabeuf
-Compressas!
...
-Estancou!
...
- O porta-agulhas?"
-Foram atingidas as uterinas
-Passa a hemostática
-Segura no Farabeuf
-Compressas!
...
-Estancou!
...
- O porta-agulhas?"
sexta-feira, abril 16, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
O Tejo é mais belo
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro
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