terça-feira, julho 26, 2011
segunda-feira, julho 25, 2011
Sea Faris
Ao fim ao cabo, ao faro do fim do mundo vêm visitas.
Vieram refrescar e despentear, não só o ambiente.

Vieram veranear e cruzeirificar, porque essas citadinas e insulares também estão e têm férias.

Partimos rumo ao Barlavento Algarvio e atracámos na Praia do Pontal sob o seu submarino diante das suas grutas, até que o sol se pôs na Praia da Falésia.

Posteriormente foi a vez do Ancão e do seu momento no Tropical.
No Algarve ainda não é Agosto e ainda não estão 30ºC.
Ainda.
Vieram refrescar e despentear, não só o ambiente.
Vieram veranear e cruzeirificar, porque essas citadinas e insulares também estão e têm férias.
Partimos rumo ao Barlavento Algarvio e atracámos na Praia do Pontal sob o seu submarino diante das suas grutas, até que o sol se pôs na Praia da Falésia.
Posteriormente foi a vez do Ancão e do seu momento no Tropical.
No Algarve ainda não é Agosto e ainda não estão 30ºC.
Ainda.
domingo, julho 10, 2011
segunda-feira, julho 04, 2011
domingo, junho 26, 2011
Ma Granada
segunda-feira, junho 20, 2011
London
segunda-feira, junho 06, 2011
domingo, maio 29, 2011
quarta-feira, maio 25, 2011
sábado, maio 21, 2011
domingo, maio 15, 2011
domingo, maio 01, 2011
sexta-feira, abril 29, 2011
mil abril
Apreciei por de trás do ombro.
Acabei a recordar aquelas noites quentes de plástico, em que os velhotes se sentam à volta de cadeiras e discutem o tamanho dos calções dos netos, analisando os erros de gramática que estes deram na escola por tudo estar tão diferente.
Está abafado e ainda é Abril. Lâmpadas rosa intercalam com luzes azuis atrás do barulho das carrinhas de gelados que dobram a esquina, anunciando-os.
Cabelos compridos de areia e chinelos que deixam algas de comichão por entre os dedos, com toalhas no ombro prontas para algo fresco, como uma cerveja. Corpos novos de ginásio e outros nem tanto, sobre esses banquinhos debaixo de guarda sois, sentados com pernas à xadrez, perante um qualquer jornal ou fofoca.
Carros em fila, de janelas abertas ao sabor da música e do vento.
Bolsos despreocupados, porque afinal sempre estão de férias.
Acabei a recordar aquelas noites quentes de plástico, em que os velhotes se sentam à volta de cadeiras e discutem o tamanho dos calções dos netos, analisando os erros de gramática que estes deram na escola por tudo estar tão diferente.
Está abafado e ainda é Abril. Lâmpadas rosa intercalam com luzes azuis atrás do barulho das carrinhas de gelados que dobram a esquina, anunciando-os.
Cabelos compridos de areia e chinelos que deixam algas de comichão por entre os dedos, com toalhas no ombro prontas para algo fresco, como uma cerveja. Corpos novos de ginásio e outros nem tanto, sobre esses banquinhos debaixo de guarda sois, sentados com pernas à xadrez, perante um qualquer jornal ou fofoca.
Carros em fila, de janelas abertas ao sabor da música e do vento.
Bolsos despreocupados, porque afinal sempre estão de férias.
quarta-feira, abril 20, 2011
Sabias?
"As we know, there are known knowns: there are things we know we know. We also know, there are known unknowns: that is to say we know there are some things we do not know. But there are also unknown unknowns: the ones we don't know we don't know."
Donald Rumsfeld
Donald Rumsfeld
quinta-feira, março 31, 2011
quarta-feira, março 16, 2011
EPA Vienna
Entrar no terreno foi o que foi.
Ciência pura, interactividade, futilidades e devaneios que é do que isto afinal é feito.
Faltar-me-á sempre aquela vez em que poderia ter ido à casa do Pai Sigmund Freud e todas essas coisas que não fossem na Aristides de Sousa Mendes Promenade, que foi para o que fui e é muito do que levo.
Ciência pura, interactividade, futilidades e devaneios que é do que isto afinal é feito.
quinta-feira, março 10, 2011
domingo, fevereiro 27, 2011
segunda-feira, fevereiro 14, 2011
25
Um quarto de século ou um quarto de tudo.
Mais ou menos do que um quarto de tudo?
Um quarto de certas coisas, um certo quarto de outras.
O rato roeu a rolha da garrafa do Rei da Rússia.
Não!
Não é isto que eu quero fazer com isto.
- Não roeu?
Não é isso.
Não gosto.
- De quê?
Disto.
Mais ou menos do que um quarto de tudo?
Um quarto de certas coisas, um certo quarto de outras.
O rato roeu a rolha da garrafa do Rei da Rússia.
Não!
Não é isto que eu quero fazer com isto.
- Não roeu?
Não é isso.
Não gosto.
- De quê?
Disto.
sexta-feira, fevereiro 11, 2011
domingo, janeiro 30, 2011
segunda-feira, janeiro 24, 2011
Cientista e a fórmula deprimente
Hoje, 24 de Janeiro, é o dia mais deprimente do ano, segundo uma fórmula matemática concebida por um cientista britânico da Universidade de Cardiff.
1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA.
“C” corresponde ao factor climático: em Janeiro, os dias são cinzentos e frios;
“D” representa as dívidas adquiridas durante a época do Natal e que agora terão de ser pagas, uma vez que o pagamento dos cartões de crédito é feito no final do mês.
“d” em minúscula significa os custos monetários relativos ao mês de Janeiro
“T” é o tempo que passou desde o Natal.
“I” representa o período desde a última tentativa falhada de abandonar um mau hábito: os bons propósitos feitos no início do ano – como as idas ao ginásio, deixar de fumar e comer melhor - começam a ficar para trás.
“M” são as motivações de cada um
“NA” a necessidade de fazer alguma coisa para mudar de vida.
Deixo tudo isto à reflexão e consideração de cada qual.
E isto também.
@DPSM
1/8C+(D-d) 3/8xTI MxNA.
“C” corresponde ao factor climático: em Janeiro, os dias são cinzentos e frios;
“D” representa as dívidas adquiridas durante a época do Natal e que agora terão de ser pagas, uma vez que o pagamento dos cartões de crédito é feito no final do mês.
“d” em minúscula significa os custos monetários relativos ao mês de Janeiro
“T” é o tempo que passou desde o Natal.
“I” representa o período desde a última tentativa falhada de abandonar um mau hábito: os bons propósitos feitos no início do ano – como as idas ao ginásio, deixar de fumar e comer melhor - começam a ficar para trás.
“M” são as motivações de cada um
“NA” a necessidade de fazer alguma coisa para mudar de vida.
Deixo tudo isto à reflexão e consideração de cada qual.
E isto também.@DPSM
sábado, janeiro 15, 2011
F
Era rezingona e engraçada nos seus 52 anos. Pedia SOS à noite porque não conseguia dormir. Tinha a boca seca e queixava-se das ampolas. Foi de fim de semana a casa pagar a água e a luz. Estava muito melhor e ia ter alta para cuidar da mãe.
Mas no dia 14 já não tomou pequeno almoço, nem voltou a acordar. Parou.
Mas no dia 14 já não tomou pequeno almoço, nem voltou a acordar. Parou.
segunda-feira, janeiro 10, 2011
Uma semana
Uma semana passou. Uma semana de quase tudo um pouco, porque afinal estamos no ALL(most)garve.
Vinda de cima, ainda Domingo, fui logo ver uma casa e apalavrei-a. Mentalmente decidi que seria aquela. Quem não vive no seu lugar, não vive tanto, e ter casa parecia-me crucial e urgente para bem viver.
Sendo assim, vivo praticamente em frente à Estação de Comboios, mais precisamente no Largo de Camões num T1 com garagem.
Não deixa de ser irónico passar da Calçada do Combro para o Largo de Camões, uma vez que se fosse na outra cidade, corresponderia a uma mudança de 3 minutos, em vez de uma mudança de 3 horas.
Mas entre ficar e não ficar com a casa, tratar do contrato e das limpezas, ainda fiquei 3 dias hospedada numa bela casa em frente à Horta.
Voltemos a Domingo. O carro ficou logo na garagem da futura casa porque todo ele, ora era para o lado, ora era para trás, ostentava traquitangas várias que me tinham dificultado a tão arriscada condução finda em Faro. Foi-me então concedido pela intermediária abrigar o carro na dita garagem, e antes ali do que na rua, o que me resolveu logo essa dificuldade.
Mal saí pela porta da garagem, o cinzento IO esperava-me: tinham-me vindo buscar. Enquanto eles arrumavam as suas coisas, eu ia quer atrapalhando, quer pondo música, até que acabámos por nos reunir a jantar.
O dia seguinte foi o da apresentação dos Internos. Às 9h00 tínhamos que estar todos no Hospital de Faro. Após ouvirmos a apresentação do Director do Internato, cada um de nós, um a um teve que se apresentar, dizer de onde era e porque razão tinha escolhido Faro. Admitimos respostas entre o cómico e o provocatório, e fomos todos tomar café, para posteriormente nos dirigirmos a cada um dos serviços.
Já ia a manhã a meio e agarrámos na Interna de Pneumologia e lá fomos para o outro Hospital.
Saímos do Taxi e avistámos as afamadas palmeiras: era ali. No piso de baixo descobria-se a Pneumologia e no de cima a Psiquiatria. Algures no CDP separámo-nos e comparecemos perante a Directora de Serviço que, mais uma vez nos apresentou a toda a gente e explicou todas as instalações.
No primeiro dia inauguramos o Café Âncora, outro dia jantámos as duas, quais colegas de especialidade na “Adega Nortenha” na baixa, no dia seguinte foi no afamado “Rainha” com todos os Internos de Especialidade e IAC’s, e a semana encerrou com um aniversário na Vila Francesinha.
No fim-de-semana, já que estamos no ALLgarve e ainda é Inverno, foi para explorar os Shoppings!: um dia ao cinema do Forum Algarve, outro dia à Fnac do AlgarveShopping.
Embora não haja sol, nem praia, parece haver espírito.
Enquanto vai passando uma semana. Uma semana a menos. Dia após dia a mais.
Vinda de cima, ainda Domingo, fui logo ver uma casa e apalavrei-a. Mentalmente decidi que seria aquela. Quem não vive no seu lugar, não vive tanto, e ter casa parecia-me crucial e urgente para bem viver.
Sendo assim, vivo praticamente em frente à Estação de Comboios, mais precisamente no Largo de Camões num T1 com garagem.
Não deixa de ser irónico passar da Calçada do Combro para o Largo de Camões, uma vez que se fosse na outra cidade, corresponderia a uma mudança de 3 minutos, em vez de uma mudança de 3 horas.
Mas entre ficar e não ficar com a casa, tratar do contrato e das limpezas, ainda fiquei 3 dias hospedada numa bela casa em frente à Horta.
Voltemos a Domingo. O carro ficou logo na garagem da futura casa porque todo ele, ora era para o lado, ora era para trás, ostentava traquitangas várias que me tinham dificultado a tão arriscada condução finda em Faro. Foi-me então concedido pela intermediária abrigar o carro na dita garagem, e antes ali do que na rua, o que me resolveu logo essa dificuldade.
Mal saí pela porta da garagem, o cinzento IO esperava-me: tinham-me vindo buscar. Enquanto eles arrumavam as suas coisas, eu ia quer atrapalhando, quer pondo música, até que acabámos por nos reunir a jantar.
O dia seguinte foi o da apresentação dos Internos. Às 9h00 tínhamos que estar todos no Hospital de Faro. Após ouvirmos a apresentação do Director do Internato, cada um de nós, um a um teve que se apresentar, dizer de onde era e porque razão tinha escolhido Faro. Admitimos respostas entre o cómico e o provocatório, e fomos todos tomar café, para posteriormente nos dirigirmos a cada um dos serviços.
Já ia a manhã a meio e agarrámos na Interna de Pneumologia e lá fomos para o outro Hospital.
Saímos do Taxi e avistámos as afamadas palmeiras: era ali. No piso de baixo descobria-se a Pneumologia e no de cima a Psiquiatria. Algures no CDP separámo-nos e comparecemos perante a Directora de Serviço que, mais uma vez nos apresentou a toda a gente e explicou todas as instalações.
No primeiro dia inauguramos o Café Âncora, outro dia jantámos as duas, quais colegas de especialidade na “Adega Nortenha” na baixa, no dia seguinte foi no afamado “Rainha” com todos os Internos de Especialidade e IAC’s, e a semana encerrou com um aniversário na Vila Francesinha.
No fim-de-semana, já que estamos no ALLgarve e ainda é Inverno, foi para explorar os Shoppings!: um dia ao cinema do Forum Algarve, outro dia à Fnac do AlgarveShopping.
Embora não haja sol, nem praia, parece haver espírito.
Enquanto vai passando uma semana. Uma semana a menos. Dia após dia a mais.
segunda-feira, janeiro 03, 2011
Mudar de vida
O ano acabou e Lisboa também.
Acabou no Ateneu por entre crianças e apitos e foi dar onde as Cebolas se defrontam nos Campos. Restava acabar o Combro e a Calçada, o 52 e o seu 2º esquerdo. Faltavam as mudanças.
Era cedo na manhã de Domingo e apenas terminava os últimos preparos para erguer o carro e partir rumo ao Sul. Por entre subidas e descidas, por entre jornadas de casa ao parque, uma delas pregou mais alto e só se ouviu "Pum!"
E ali fiquei eu, do lado de fora da porta do que iria ser em breve, a minha antiga casa.
Sem chaves de casa, sem chaves do carro, sem telemóveis, sem carteira, sem dinheiro e sem casaco. Enfim, despida do essencial.
Nada haveria de estranho a contar, se tudo tivesse acontecido 5 minutos depois, e todos esses meus pertences estivessem do lado de fora da porta.
O Combro acabava quando a porta batesse e eu tivesse tudo comigo. Era assim que estava escrito e era conforme deveria ser: uma espécie de ordem ou processo natural das coisas.
Mas 5 minutos faziam e fizeram a diferença.
E eu tinha assuntos e interesses acordados em Faro dali a duas horas. Não havia tempo para brincadeirinhas desta espécie.
Mas de facto não era uma partida e após ser muito abanada, a porta não abria mesmo.
Teria que inventar um Abracadabra que por um qualquer acto de magia fosse capaz de abrir a porta?
Ora pela manhã, com as ideias nos bolsos, havia que engendrar.
Uma amiga de amigo viria em breve num par de horas a ser vizinha de baixo da minha quase antiga casa e havia que entrar em contacto com ela. Só que ali estava eu e não possuía um telemóvel.
A florista barra loja de couves do andar de baixo (onde durante aquele ano nunca lá tinha ido), era o único estabelecimento aberto nas redondezas no primeiro Domingo do ano.
Tal, parecia ser o primeiro passo de esperança de que tudo poderia vir a experimentar uma solução. Entrei na loja e ali estava ela, de caracóis negros e lábios vermelhos com um pé de alface na mão. Expliquei-lhe o que tinha acontecido. Sorriu e disse “Não falo!” Eu ainda tentei “Em English?”, ao que ela retorquiu “No. Bulgaria.”
Detinha perante mim a única pessoa que me podia ajudar, mas que não me entendia. Imitei sinais com os dedos, em jeito de marcar um número de telefone, acompanhados de sons que tentavam retratar o famoso “Trim!”. Ela entendeu, erguendo-me entre um sorriso, o seu telemóvel. Fiz uma chamada que prometia ser desencadeadora e dar lugar ao processo de contactar a futura vizinha. Fiquei de aguardar uma outra chamada. Mas era-me insuportável e impraticável conseguir esperar. Receosamente pronuncio permissão para realizar outra chamada. Fez logo sinal que sim, o telemóvel é que não. Tinha-lhe esgotado o saldo!
Pedi-lhe mil desculpas, ela afagou-me em sinal de despreocupação, compactuando com o meu sofrimento, embora não compreendesse.
Tinha que agir de outra forma. O tempo passava e a porta continuava fechada.
Lembrei-me dos vizinhos do lado. Mas o ano também tinha passado e eu nunca tinha falado com eles. Mais vale tarde do que nunca, pensei. E se havia dia, era aquele. Assim foi. Toquei à campainha e abriram-me a porta. Ali estava eu do lado de fora da porta de casa dos meus futuros ex-vizinhos do lado, porta com porta. Eram indianos, mas falavam bem Português. Simpáticos, igualmente eles me emprestaram o seu telefone. Entre chamadas, acabei por convocar os bombeiros. Agora tinha que esperar: por eles e pela polícia. Mas eles estavam a almoçar, pelo que tudo prometia demorar.
Os vizinhos indianos aprontaram-se em oferecer o seu sofá e em dar-me a provar as suas iguarias hindus. O tempo previa-se não passar. E ali estava eu: quietinha, super sentada no sofá indiano, mesmo ao lado dos vários comandos ocidentais, com os joelhos quase a ofender o armário da frente, onde entidades ancestrais indianas perfilavam perante os meus olhos e eu aprumava diante deles.
Discretamente admirava tudo o que se expressava ser a sua casa. Mesmo do outro lado da porta da minha, onde se registavam arquitecturas, interesses, sabores e odores de vidas tão distintos. E naquele último dia eu estava do outro lado, das suas mãos, do seu lugar. Teríamos sido os vizinhos mais atípicos e menos confraternizadores. Parecia irónico o ano começar assim, entendido do outro lado.
De repente avisto lá em baixo o camião dos bombeiros. Praticamente saltei do sofá. Toda eu era uma vontade imensa de terminar aquele ritual. Queria abrir a porta e poder partir.
Vieram os bombeiros e a polícia. Mas eu já não tinha nada dentro de casa, nem sequer nenhum comprovativo que demonstrasse que eu morava ou teria morado ali.
Ninguém sabia como podia ou não agir. Era necessário cumprir protocolos e leis.
Poderia não ter batido a porta? Poderia não ter começado aquele primeiro Domingo assim?
Podia, mas não tinha sido a mesma coisa.
E a porta abriu-se!
Acabou no Ateneu por entre crianças e apitos e foi dar onde as Cebolas se defrontam nos Campos. Restava acabar o Combro e a Calçada, o 52 e o seu 2º esquerdo. Faltavam as mudanças.
Era cedo na manhã de Domingo e apenas terminava os últimos preparos para erguer o carro e partir rumo ao Sul. Por entre subidas e descidas, por entre jornadas de casa ao parque, uma delas pregou mais alto e só se ouviu "Pum!"
E ali fiquei eu, do lado de fora da porta do que iria ser em breve, a minha antiga casa.
Sem chaves de casa, sem chaves do carro, sem telemóveis, sem carteira, sem dinheiro e sem casaco. Enfim, despida do essencial.
Nada haveria de estranho a contar, se tudo tivesse acontecido 5 minutos depois, e todos esses meus pertences estivessem do lado de fora da porta.
O Combro acabava quando a porta batesse e eu tivesse tudo comigo. Era assim que estava escrito e era conforme deveria ser: uma espécie de ordem ou processo natural das coisas.
Mas 5 minutos faziam e fizeram a diferença.
E eu tinha assuntos e interesses acordados em Faro dali a duas horas. Não havia tempo para brincadeirinhas desta espécie.
Mas de facto não era uma partida e após ser muito abanada, a porta não abria mesmo.
Teria que inventar um Abracadabra que por um qualquer acto de magia fosse capaz de abrir a porta?
Ora pela manhã, com as ideias nos bolsos, havia que engendrar.
Uma amiga de amigo viria em breve num par de horas a ser vizinha de baixo da minha quase antiga casa e havia que entrar em contacto com ela. Só que ali estava eu e não possuía um telemóvel.
A florista barra loja de couves do andar de baixo (onde durante aquele ano nunca lá tinha ido), era o único estabelecimento aberto nas redondezas no primeiro Domingo do ano.
Tal, parecia ser o primeiro passo de esperança de que tudo poderia vir a experimentar uma solução. Entrei na loja e ali estava ela, de caracóis negros e lábios vermelhos com um pé de alface na mão. Expliquei-lhe o que tinha acontecido. Sorriu e disse “Não falo!” Eu ainda tentei “Em English?”, ao que ela retorquiu “No. Bulgaria.”
Detinha perante mim a única pessoa que me podia ajudar, mas que não me entendia. Imitei sinais com os dedos, em jeito de marcar um número de telefone, acompanhados de sons que tentavam retratar o famoso “Trim!”. Ela entendeu, erguendo-me entre um sorriso, o seu telemóvel. Fiz uma chamada que prometia ser desencadeadora e dar lugar ao processo de contactar a futura vizinha. Fiquei de aguardar uma outra chamada. Mas era-me insuportável e impraticável conseguir esperar. Receosamente pronuncio permissão para realizar outra chamada. Fez logo sinal que sim, o telemóvel é que não. Tinha-lhe esgotado o saldo!
Pedi-lhe mil desculpas, ela afagou-me em sinal de despreocupação, compactuando com o meu sofrimento, embora não compreendesse.
Tinha que agir de outra forma. O tempo passava e a porta continuava fechada.
Lembrei-me dos vizinhos do lado. Mas o ano também tinha passado e eu nunca tinha falado com eles. Mais vale tarde do que nunca, pensei. E se havia dia, era aquele. Assim foi. Toquei à campainha e abriram-me a porta. Ali estava eu do lado de fora da porta de casa dos meus futuros ex-vizinhos do lado, porta com porta. Eram indianos, mas falavam bem Português. Simpáticos, igualmente eles me emprestaram o seu telefone. Entre chamadas, acabei por convocar os bombeiros. Agora tinha que esperar: por eles e pela polícia. Mas eles estavam a almoçar, pelo que tudo prometia demorar.
Os vizinhos indianos aprontaram-se em oferecer o seu sofá e em dar-me a provar as suas iguarias hindus. O tempo previa-se não passar. E ali estava eu: quietinha, super sentada no sofá indiano, mesmo ao lado dos vários comandos ocidentais, com os joelhos quase a ofender o armário da frente, onde entidades ancestrais indianas perfilavam perante os meus olhos e eu aprumava diante deles.
Discretamente admirava tudo o que se expressava ser a sua casa. Mesmo do outro lado da porta da minha, onde se registavam arquitecturas, interesses, sabores e odores de vidas tão distintos. E naquele último dia eu estava do outro lado, das suas mãos, do seu lugar. Teríamos sido os vizinhos mais atípicos e menos confraternizadores. Parecia irónico o ano começar assim, entendido do outro lado.
De repente avisto lá em baixo o camião dos bombeiros. Praticamente saltei do sofá. Toda eu era uma vontade imensa de terminar aquele ritual. Queria abrir a porta e poder partir.
Vieram os bombeiros e a polícia. Mas eu já não tinha nada dentro de casa, nem sequer nenhum comprovativo que demonstrasse que eu morava ou teria morado ali.
Ninguém sabia como podia ou não agir. Era necessário cumprir protocolos e leis.
Poderia não ter batido a porta? Poderia não ter começado aquele primeiro Domingo assim?
Podia, mas não tinha sido a mesma coisa.
E a porta abriu-se!
sexta-feira, dezembro 31, 2010
f Iac
Acabou a Medicina.
Acabou como começou: com um banco.
Sem apresentações e sem despedidas.
Para trás sangue, suor e lágrimas.
Para trás gasimetrias, noites no Hospital de Dia, discussões diárias e visitas semanais.
Por entre olhos revirados e sorrisos.
Acabou o piso 3. Acabou a Ortopedia.
Acabou à mesma hora.
E acabou mesmo.
E acabou o Ano Comum.
E em breve acaba o ano.
Acabou como começou: com um banco.
Sem apresentações e sem despedidas.
Para trás sangue, suor e lágrimas.
Para trás gasimetrias, noites no Hospital de Dia, discussões diárias e visitas semanais.
Por entre olhos revirados e sorrisos.
Acabou o piso 3. Acabou a Ortopedia.
Acabou à mesma hora.
E acabou mesmo.
E acabou o Ano Comum.
E em breve acaba o ano.
terça-feira, dezembro 28, 2010
Yeah Yeah Yeahs
Assim uma tarde de fundo azul deu lugar a uma noite com ponto rosa.
De músicas e devaneios.
Vais fazer falta nesta Ponta.
sábado, dezembro 25, 2010
terça-feira, dezembro 14, 2010
quarta-feira, dezembro 08, 2010
domingo, dezembro 05, 2010
sábado, dezembro 04, 2010
quinta-feira, dezembro 02, 2010
quarta-feira, dezembro 01, 2010
terça-feira, novembro 23, 2010
quinta-feira, novembro 18, 2010
sábado, novembro 13, 2010
segunda-feira, novembro 01, 2010
sexta-feira, outubro 22, 2010
SBV
- Senhor Armindo! Está-me a ouvir?
Ajuda!
Permeabilizar a via aérea
Ver, Ouvir, Sentir (10seg)
Se respira: Posição Lateral de Segurança
Se não respira: 30 compressões (100/min) e 2 ventilações (10/min)
Porque a Paragem cardíaca é a principal causa de morte na Europa (700.000/ano) e iniciar precocemente a ressuscitação cardiopulmonar pode triplicar a sobrevida das vítimas em Paragem por Fibrilação Ventricular.
Ajuda!
Permeabilizar a via aérea
Ver, Ouvir, Sentir (10seg)
Se respira: Posição Lateral de Segurança
Se não respira: 30 compressões (100/min) e 2 ventilações (10/min)
Porque a Paragem cardíaca é a principal causa de morte na Europa (700.000/ano) e iniciar precocemente a ressuscitação cardiopulmonar pode triplicar a sobrevida das vítimas em Paragem por Fibrilação Ventricular.
segunda-feira, setembro 27, 2010
Galerias
As Galerias Romanas, a cinco metros abaixo do solo da baixa pombalina, foram descobertas durante a reconstrução da cidade após o grande terramoto de 1755.
Contudo, podem apenas ser visitadas uma vez por ano, uma vez que estão submersas num nível de água elevado, e a sua bombagem é um processo moroso, que aparentemente levanta problemas de conservação do próprio edifício e dos edifícios anexos, se retirada mais frequentemente.
Devido à grande adesão do público a estas visitas, demorámos 3 horas desde demarcar a ponta da fila com o pequeno-almoço, até sair pela tampa de saneamento da Rua da Prata.
Mas valeu muito a pena, que a Senhora das galochas narrava histórias acertadas e mostrou uma inscrição em latim dedicada a Esculápio, que afinal era o Deus da Medicina.
Contudo, podem apenas ser visitadas uma vez por ano, uma vez que estão submersas num nível de água elevado, e a sua bombagem é um processo moroso, que aparentemente levanta problemas de conservação do próprio edifício e dos edifícios anexos, se retirada mais frequentemente.
Devido à grande adesão do público a estas visitas, demorámos 3 horas desde demarcar a ponta da fila com o pequeno-almoço, até sair pela tampa de saneamento da Rua da Prata.
Mas valeu muito a pena, que a Senhora das galochas narrava histórias acertadas e mostrou uma inscrição em latim dedicada a Esculápio, que afinal era o Deus da Medicina.
quarta-feira, setembro 22, 2010
Confúcio
Depois do choque de voltar da China, nada como aprender Chinês como provocação.
O objectivo era aprender a falar e escrever o básico, ou pelo menos compreender e falar um bocadinho de Chinês simplificado, ou cá entre nós mandarim, e reconhecer o máximo de símbolos que depois de um dia de trabalho em Medicina se pode conseguir.
Embora haja mais de 50mil caracteres chineses, se mais de 1 bilião e meio de pessoas do outro lado do mundo consegue ler e falar este idioma, nada como também dar uma oportunidade à língua deste lado do planeta.
E assim me inaugurei no Instituto Confúcio.
Ora, depois de um dia de trabalho, aprender Chinês não só é muito terapêutico, como é de morrer a rir.
A Professora e toda a classe riem-se constantemente dos ruídos e sonidos, que muitas vezes nos saem literalmente ao lado, sempre que alguém tenta com coragem, começar a repetir um dos requisitados sons das várias combinações de iniciais e de finais.
E aí muitas vezes é o pim pam pum. Aprende-se a colocar a língua nos dentes para ser mais chinês e o som sair de uma forma mais autêntica. Mas por vezes torna-se difícil.
A própria professora também se baralha um bocado, mas já ela, é mais no Inglês, porque diz sempre “Do you think so?” quando quer dizer “Don’t you think so?”
Sim, nem sempre se percebe, daí o Chinês ser Chinês.
O objectivo era aprender a falar e escrever o básico, ou pelo menos compreender e falar um bocadinho de Chinês simplificado, ou cá entre nós mandarim, e reconhecer o máximo de símbolos que depois de um dia de trabalho em Medicina se pode conseguir.
Embora haja mais de 50mil caracteres chineses, se mais de 1 bilião e meio de pessoas do outro lado do mundo consegue ler e falar este idioma, nada como também dar uma oportunidade à língua deste lado do planeta.
E assim me inaugurei no Instituto Confúcio.
Ora, depois de um dia de trabalho, aprender Chinês não só é muito terapêutico, como é de morrer a rir.
A Professora e toda a classe riem-se constantemente dos ruídos e sonidos, que muitas vezes nos saem literalmente ao lado, sempre que alguém tenta com coragem, começar a repetir um dos requisitados sons das várias combinações de iniciais e de finais.
E aí muitas vezes é o pim pam pum. Aprende-se a colocar a língua nos dentes para ser mais chinês e o som sair de uma forma mais autêntica. Mas por vezes torna-se difícil.
A própria professora também se baralha um bocado, mas já ela, é mais no Inglês, porque diz sempre “Do you think so?” quando quer dizer “Don’t you think so?”
Sim, nem sempre se percebe, daí o Chinês ser Chinês.
domingo, setembro 19, 2010
Retida na China
Era o nosso último dia na China.
O relógio marcava 7horas e 29minutos quando chegámos à Estação de Comboio de Pequim.
Muita coisa ainda ambicionávamos cumprir naquelas atribuladas 24 horas, contudo visitar o Hospital, conhecer a Maria e ir ao Estádio Olímpico pareciam os objectivos mais pretendidos.
Depois de visitarmos com o Prof. Wu a Beijing Chinese Academy of Medical Sciences, entrámos num táxi em direcção ao Qian Men Hostel, onde tudo tinha para nós começado há 3 semanas atrás. Era aí que íamos deixar as mochilas, enquanto aproveitávamos aquele último dia.
Na expectativa da resposta da Maria, fomos passear no Hutong atrás do Hostel, circunstância ideal para negociar e adquirir um chapéu chinês.
Entretanto, se de facto o que estávamos a fazer eram compras, decidimos partir para um highlight que nos faltava, o Panjiayuan Antique Market, famoso mercado ao ar livre, reconhecido como programa indicado para todo o tipo de pessoas, que considerámos ponto ideal para dar continuidade a este importuno ímpeto de consumo, uma vez que se assegurava aí ser possível encontrar de tudo.
Acabados de chegar nem há 5 minutos, separo-me da Luísa e do Miguel para ir à casa de banho. O mercado é imenso, labiríntico e repleto de gente. Sigo as placas que indicam Toilet, ainda inconsciente do meu trágico destino.
À saída, de repente, entrevejo um esticão e assim que atento, tinha a mochila aberta, completamente aberta. Roubaram-me tudo o que para mim era tudo!
Naquele instante, não consegui pensar. Não me era possível declarar em palavras aquilo que o meu cérebro já tinha concluído. E não conseguia encontrá-los de volta naquela confusão onde os tinha deixado minutos antes. E não sabia o que iria fazer, nem o que me iria acontecer, mas queria muito agir, e rápido.
Ainda em alvoroço, encontro-os e relato o que tinha acabado de ocorrer. Tinha sido assaltada. Roubaram-me tudo: passaporte, visto, bilhete de identidade, carta de condução, cartões de crédito, débito, euros e yuans. Tudo, literalmente tudo, e faltavam poucas horas para o meu suposto regresso.
Não tinha nada e não era ninguém.
Em sobressalto, saímos do mercado e tentámos apanhar um táxi de volta ao Hostel. Esperava aí ter as fotocópias dos documentos, e que estas me permitissem arranjar uma solução fugaz. Tinha esperança que tudo tivesse passado de um pesadelo.
Entre telefonemas com a Mãe, Embaixada e Maria, era necessário actuar. Exigiam-se cumprir mil tarefas, mas era impossível comunicar.
Fui à Polícia sozinha, folheando apenas o meu guia de conversação, repleto de imagens legendadas em inglês, acompanhadas de seus respectivos símbolos em chinês simplificado, tentando traduzir o que havia sucedido.
Seria aquele o método suposto para eu explicar aquela situação, fazendo-me comunicar simplesmente com um parco guia em que constava a imagem de um Passaporte, identificado nos seus símbolos como 护照 (huzhao), onde aparecia, mesmo na página anterior recentemente folheada, o também incluído arroz branco, 米饭 (mifan)?
Tudo parecia demorar uma eternidade. Naquela esquadra ninguém falava Inglês, ninguém procurava decifrar as minhas explanações, ninguém interpretava os meus pedidos, ninguém pretendia auxiliar, ninguém tencionava justificar o ocorrido, e ninguém me queria facultar nenhuma declaração.
Retorquiam com gritos seguros, sempre em chinês, que escusado será referir, eu claramente não compreendia. Revoltada, contrapus esclarecer a situação numa outra estação. Os telefones tocavam incessantemente, admitindo vozes distintas, que ora surgiam em chinês, ora após profunda indignação em inglês, apresentando todo o tipo de missivas, obstáculos e questões.
Tudo se entendia sucessivamente deliberar-se, dificultar-se, aparentemente solucionar-se e repetida e novamente bloquear-se, sem que eu partilhasse a mínima ideia ou noção do que estava de facto a suceder.
Ainda na estação da polícia analiso que tinha sido juntamente roubado o cartão memória com todas as fotografias do que tinha sido aquela viagem, mas já não possuía energias para reagir.
Era Sábado e estava a lutar contra o tempo.
Ali estava eu: duas pernas e dois braços. Passou-me pela cabeça que não podia ficar doente. Ninguém que não tem nada, não pode ficar doente, que isso só dificulta.
Já era noite. O dia tinha passado, o avião que iríamos apanhar estava prestes a partir e, quando inquirida, lembrei-me que não tinha comido, mas estava cansada e tudo me parecia afinal surreal. Tinha sido um dia atribulado. Precisava de dormir.
O que eu desconhecia naquele momento é que estava dado o mote para instaurar-se todo um processo kafkaniano, numa sucessão interminável de documentos em falta, que ninguém sabia serem necessários, e que progressivamente me iam sendo solicitados quando procurava realizar as diversas tarefas que no futuro me iriam permitir ter um visto e comprar uma viagem para voltar. As referidas entidades protelavam em fornecer-me os diferentes tipos de documentação que me tinham sido exigidos, mostrando-se inacessíveis, confrontados com o medo de ao auxiliarem, cometerem algum tipo de irregularidade, perante normas impostas por autoridades que os inspeccionam a eles e que me controlavam a mim.
Desde impossibilitada a dormir no Hostel por não possuir um visto, a autorizações temporárias de residência que não me queriam ceder, por ainda não dispôr de uma autorização da polícia local que me aprovasse estar a pisar território chinês de uma forma legal, enquanto tratava de todas as burocracias pendentes que tinha de resolver para dali sair, tudo aconteceu.
Preenchi imensos formulários e fiz demasiadas cópias de numerosos documentos. Mas faltava sempre qualquer coisa. Nada era garantia de nada. Surgiam sempre novos obstáculos, mesmo quando a situação parecia estar a ser levada a bom porto. Esperei em inúmeras filas para falar com tantos chefes que me permitissem pedir todas as autorizações mais do que urgentes e mais do que especiais.
Já não queria ver nada. Não queria absorver mais estímulos. Não queria mais símbolos, nem regulamentos, nem autorizações. Não queria ter que ter mais histórias para contar. Queria que me lessem os pensamentos daquilo que sentia para não ter que falar. Nem Chinês, nem Inglês, nem Português.
O relógio marcava 7horas e 29minutos quando chegámos à Estação de Comboio de Pequim.
Muita coisa ainda ambicionávamos cumprir naquelas atribuladas 24 horas, contudo visitar o Hospital, conhecer a Maria e ir ao Estádio Olímpico pareciam os objectivos mais pretendidos.
Depois de visitarmos com o Prof. Wu a Beijing Chinese Academy of Medical Sciences, entrámos num táxi em direcção ao Qian Men Hostel, onde tudo tinha para nós começado há 3 semanas atrás. Era aí que íamos deixar as mochilas, enquanto aproveitávamos aquele último dia.
Na expectativa da resposta da Maria, fomos passear no Hutong atrás do Hostel, circunstância ideal para negociar e adquirir um chapéu chinês.
Entretanto, se de facto o que estávamos a fazer eram compras, decidimos partir para um highlight que nos faltava, o Panjiayuan Antique Market, famoso mercado ao ar livre, reconhecido como programa indicado para todo o tipo de pessoas, que considerámos ponto ideal para dar continuidade a este importuno ímpeto de consumo, uma vez que se assegurava aí ser possível encontrar de tudo.
Acabados de chegar nem há 5 minutos, separo-me da Luísa e do Miguel para ir à casa de banho. O mercado é imenso, labiríntico e repleto de gente. Sigo as placas que indicam Toilet, ainda inconsciente do meu trágico destino.
À saída, de repente, entrevejo um esticão e assim que atento, tinha a mochila aberta, completamente aberta. Roubaram-me tudo o que para mim era tudo!
Naquele instante, não consegui pensar. Não me era possível declarar em palavras aquilo que o meu cérebro já tinha concluído. E não conseguia encontrá-los de volta naquela confusão onde os tinha deixado minutos antes. E não sabia o que iria fazer, nem o que me iria acontecer, mas queria muito agir, e rápido.
Ainda em alvoroço, encontro-os e relato o que tinha acabado de ocorrer. Tinha sido assaltada. Roubaram-me tudo: passaporte, visto, bilhete de identidade, carta de condução, cartões de crédito, débito, euros e yuans. Tudo, literalmente tudo, e faltavam poucas horas para o meu suposto regresso.
Não tinha nada e não era ninguém.
Em sobressalto, saímos do mercado e tentámos apanhar um táxi de volta ao Hostel. Esperava aí ter as fotocópias dos documentos, e que estas me permitissem arranjar uma solução fugaz. Tinha esperança que tudo tivesse passado de um pesadelo.
Entre telefonemas com a Mãe, Embaixada e Maria, era necessário actuar. Exigiam-se cumprir mil tarefas, mas era impossível comunicar.
Fui à Polícia sozinha, folheando apenas o meu guia de conversação, repleto de imagens legendadas em inglês, acompanhadas de seus respectivos símbolos em chinês simplificado, tentando traduzir o que havia sucedido.
Seria aquele o método suposto para eu explicar aquela situação, fazendo-me comunicar simplesmente com um parco guia em que constava a imagem de um Passaporte, identificado nos seus símbolos como 护照 (huzhao), onde aparecia, mesmo na página anterior recentemente folheada, o também incluído arroz branco, 米饭 (mifan)?
Tudo parecia demorar uma eternidade. Naquela esquadra ninguém falava Inglês, ninguém procurava decifrar as minhas explanações, ninguém interpretava os meus pedidos, ninguém pretendia auxiliar, ninguém tencionava justificar o ocorrido, e ninguém me queria facultar nenhuma declaração.
Retorquiam com gritos seguros, sempre em chinês, que escusado será referir, eu claramente não compreendia. Revoltada, contrapus esclarecer a situação numa outra estação. Os telefones tocavam incessantemente, admitindo vozes distintas, que ora surgiam em chinês, ora após profunda indignação em inglês, apresentando todo o tipo de missivas, obstáculos e questões.
Tudo se entendia sucessivamente deliberar-se, dificultar-se, aparentemente solucionar-se e repetida e novamente bloquear-se, sem que eu partilhasse a mínima ideia ou noção do que estava de facto a suceder.
Ainda na estação da polícia analiso que tinha sido juntamente roubado o cartão memória com todas as fotografias do que tinha sido aquela viagem, mas já não possuía energias para reagir.
Era Sábado e estava a lutar contra o tempo.
Ali estava eu: duas pernas e dois braços. Passou-me pela cabeça que não podia ficar doente. Ninguém que não tem nada, não pode ficar doente, que isso só dificulta.
Já era noite. O dia tinha passado, o avião que iríamos apanhar estava prestes a partir e, quando inquirida, lembrei-me que não tinha comido, mas estava cansada e tudo me parecia afinal surreal. Tinha sido um dia atribulado. Precisava de dormir.
O que eu desconhecia naquele momento é que estava dado o mote para instaurar-se todo um processo kafkaniano, numa sucessão interminável de documentos em falta, que ninguém sabia serem necessários, e que progressivamente me iam sendo solicitados quando procurava realizar as diversas tarefas que no futuro me iriam permitir ter um visto e comprar uma viagem para voltar. As referidas entidades protelavam em fornecer-me os diferentes tipos de documentação que me tinham sido exigidos, mostrando-se inacessíveis, confrontados com o medo de ao auxiliarem, cometerem algum tipo de irregularidade, perante normas impostas por autoridades que os inspeccionam a eles e que me controlavam a mim.
Desde impossibilitada a dormir no Hostel por não possuir um visto, a autorizações temporárias de residência que não me queriam ceder, por ainda não dispôr de uma autorização da polícia local que me aprovasse estar a pisar território chinês de uma forma legal, enquanto tratava de todas as burocracias pendentes que tinha de resolver para dali sair, tudo aconteceu.
Preenchi imensos formulários e fiz demasiadas cópias de numerosos documentos. Mas faltava sempre qualquer coisa. Nada era garantia de nada. Surgiam sempre novos obstáculos, mesmo quando a situação parecia estar a ser levada a bom porto. Esperei em inúmeras filas para falar com tantos chefes que me permitissem pedir todas as autorizações mais do que urgentes e mais do que especiais.
Já não queria ver nada. Não queria absorver mais estímulos. Não queria mais símbolos, nem regulamentos, nem autorizações. Não queria ter que ter mais histórias para contar. Queria que me lessem os pensamentos daquilo que sentia para não ter que falar. Nem Chinês, nem Inglês, nem Português.
quinta-feira, setembro 09, 2010
China 中国
A ideia partiu do pretexto de ir de férias o mais longe possível, tão longe como a China.
Só que desta vez foi-se mesmo, literalmente.
A Luísa não queria ir à índia, eu preferia Oriente e o Miguel sugeriu China. Tudo começou na madrugada de Santo António.
E eis que do outro lado surge: “E vão só à China?”, como se o impacto China por si só não fosse suficiente e exigisse o acréscimo de um Mianmar ou outro destino congénere, como sinal de, aí sim, uma atracção misteriosa e exótica q.b.
Além do mais, se tudo em todo o lado é feito na China, mais vale ir directamente à génese, origem de todo o tipo de material.
Tudo estava em chinês e para nós, tudo era chinês! Queríamos muito ver muito, fazer muito, compreender muito. Tínhamos muitos sonhos, projectos e vontades.
Depois de muitas histórias, imprevistos, passatempos e contratempos, finalmente de volta.
Para trás ficou um passaporte, um visto, um bilhete de identidade, cartões de crédito e débito, uma carta de condução, dinheiro e praticamente todas as fotografias.
Só que desta vez foi-se mesmo, literalmente.
A Luísa não queria ir à índia, eu preferia Oriente e o Miguel sugeriu China. Tudo começou na madrugada de Santo António.
Além do mais, se tudo em todo o lado é feito na China, mais vale ir directamente à génese, origem de todo o tipo de material.
Tudo estava em chinês e para nós, tudo era chinês! Queríamos muito ver muito, fazer muito, compreender muito. Tínhamos muitos sonhos, projectos e vontades.
Depois de muitas histórias, imprevistos, passatempos e contratempos, finalmente de volta.
Para trás ficou um passaporte, um visto, um bilhete de identidade, cartões de crédito e débito, uma carta de condução, dinheiro e praticamente todas as fotografias.
quinta-feira, agosto 12, 2010
CC
Fui-me despedir dela.
Agarrou-me na mão a choramingar, e disse que era cruel a sentença, a doença.
Como havia de dizer aos seus filhos, que para ela já não havia esperança?
Depois perguntou-me que tipo de médica é que eu queria ser. E brincou que havia de ser minha doente: “Sim, porque entre estas coisas todas, eu tenho uma depressão.”
Ela que um dia me disse que parecia mais velha, mais cientista e mais Médica de óculos!
Fechei a porta.
Era o seu último dia ali. E o meu também.
Agarrou-me na mão a choramingar, e disse que era cruel a sentença, a doença.
Como havia de dizer aos seus filhos, que para ela já não havia esperança?
Depois perguntou-me que tipo de médica é que eu queria ser. E brincou que havia de ser minha doente: “Sim, porque entre estas coisas todas, eu tenho uma depressão.”
Ela que um dia me disse que parecia mais velha, mais cientista e mais Médica de óculos!
Fechei a porta.
Era o seu último dia ali. E o meu também.
segunda-feira, agosto 09, 2010
segunda-feira, julho 26, 2010
terça-feira, julho 20, 2010
Noite na Cirurgia
segunda-feira, julho 19, 2010
The Temper Trap
Luzes verdes e fluorescentes. Mesmo ali. A reproduzir o que já foi um grande momento.
@SBSR
domingo, julho 11, 2010
sábado, julho 10, 2010
sexta-feira, julho 09, 2010
quarta-feira, julho 07, 2010
quinta-feira, junho 24, 2010
São João
Um dia sonhei que um grande balão pairava num terraço.
Sonhei que todas as suas cores hesitavam entre pousar ou avançar.
Às vezes parecia tratar-se de um jogo dirigido.
Mas não, porque os balões obedecem aos ventos.
Às vezes sujeito a mais tempestades, outras vezes com um rumo mais ameno.
Se calhar tinha vindo duma fogueira.
Se calhar tinha passado bem perto de um fogo-de-artifício.
Se calhar, às vezes, o balão desentendia-se com aquele terraço.
Mas entre aquele meu terraço e aquele teu balão havia sempre pontos de passagem naquela viagem.
Se calhar afinal, até era guiado, não pelos ventos, mas por ti.
Se calhar ia até aos céus levar sorrisos, juntamente com lágrimas.
Se calhar era por isso que o balão não descansava de ali pairar,
E se calhar era por isso que não queria ali descer.
Sabes, se calhar não.
Sonhei que todas as suas cores hesitavam entre pousar ou avançar.
Às vezes parecia tratar-se de um jogo dirigido.
Mas não, porque os balões obedecem aos ventos.
Às vezes sujeito a mais tempestades, outras vezes com um rumo mais ameno.
Se calhar tinha vindo duma fogueira.
Se calhar tinha passado bem perto de um fogo-de-artifício.
Se calhar, às vezes, o balão desentendia-se com aquele terraço.
Mas entre aquele meu terraço e aquele teu balão havia sempre pontos de passagem naquela viagem.
Se calhar afinal, até era guiado, não pelos ventos, mas por ti.
Se calhar ia até aos céus levar sorrisos, juntamente com lágrimas.
Se calhar era por isso que o balão não descansava de ali pairar,
E se calhar era por isso que não queria ali descer.
Sabes, se calhar não.
domingo, junho 13, 2010
Marrocos
Dia 1
Aquecimento. Recepção IAC em Faro na Villa Francesinha. Dormir com almofadas no sofá.
Dia 2
Rumo a Espanha. Algeciras. Afinal, Tarifa.
Travessia até Tânger. Procura de carro para alugar. Aeroporto. Acampar por entre as árvores do estacionamento. Quando muda o turno afinal não podemos. Acampar dentro. Detectores de metais sempre desligados ou então a apitar. Mas de qualquer das formas, é sempre indiferente. Apitar ou não apitar. Tirar ou não tirar.
Dia 3
Alugar carro e jipe. Negociar. Afrique rent-a-car. Ir perguntar ao do lado. Carros aqui? No hay! Concretizar o acto.
Tétouan. A Medina. O marroquino. A cooperativa dos tapetes. Tapetes contra a Rinite Alérgica. A marcação dos cuscus e dos tagines. A descoberta do Ali baba. A pressa, mata. Só mais uma Farmácia não! Queremos comer. Cuscus na sauna com joelhos a suar na toalha.
Chefchaouen.
Busca do Hostel. Pita simula bater a Mel e espanta população indígena. Hotel das cervejas. A Praça. Jantar com Vinho. O Terraço. 
Dia 4
Hotel das Cervejas. A Praça. Bis. Bis. Place Uta el-Hammam. Mesquita de Kasbah. Com tanto calor em Marrocos, o meu sítio preferido é a prisão que está fresquinha. Lavar os Tapetes. Pôr os pés na água. O creme de há 3 dias que se espalhava esquisito, afinal era gel de banho!

Equipas estabelecidas: corninho 1.6 e Trambolho. E muitas intervenções estúpidas.
O que voa e é preto ou são os mosquitos ou o batman!
Chegada a Fez. É agora o Festival Internacional de Música. Sacra. Pelo menos não é o Festival de Música Coccígea. Jantar no Terraço. Dormir no Terraço em frente.
Dia 5
Pequeno-almoço no Terraço. O Guia Misura das 4 mulheres e 24 filhos. Passeios na Medina. Tanques com tintas.
Palácio Real. Chá de Hortelã. Farmácia. Demonstrações anti-sinusite.
Pãoquecas que não são salgadas nem doces, mas são bem bouas.
Mais intervenções estúpidas. Se La é não, Alá é anão. E inchalá era para ele ficar maior.
Tentativa de ir a banhos. As muçulmanas ali a fazer merendas.
Grande Jantarada no Hotel.
Dia 6
Caminhos difíceis pelo Atlas.
A água do carro abre sozinha e bate no nariz e em vez de gelo, a coisa mais fresca que se tem é uma maçã. Meninos a pedir água.
Cascadas de Ouzoud. Caminhos íngremes. Acampar em frente às cascadas. Durante a noite com lanternas. A casa de banho e o burro.

Dia 7
Acordar nas Cascadas. Tomar banho na argila. A casa dos Berberes. Chá e pão e cabras berberes. Atravessar o Atlas. Os meninos que aparecem do nada e levam canetas e toalhitas. O chouriço que tinha o limite da lata e era rebelde ao canivete.
Ouazazate. O Sr. simpático do Turismo que não leva nada e explica tudo.
A Caminho do Oásis Finnt para ver o pôr-do-sol. Atravessar caminhos de água com o carro e com o jipe. Empurrar o carro.
Músicas marroquinas na rádio. La la la Marrakesch? Ai não é o que diz? Então e esta do És tão boa ta na na na.
Jantar com as estrelas como o céu. Jogos até as tantas. Dormir em Palacete no Oásis.
Dia 8
Brincar aos rallys nos descampados. 43 graus registados.
Filmagens: Ecla Studios. O carro fica entalado na areia. Cavar com a pá.
Dia 9
Marrakech. Kebab. Tchizebrager. O riat.
Mercado.
Comer no Terraço. Mesquita. Peripécias no Mercado.
Ida a banhos Hammams. Jantar no Mercado. Quem faz a conta são os Tugas.
Dia 10
Auto-estrada. Estação de serviço de gasolina com salas para rezar para homens e para mulheres que são confundidas com casas de banho.
Moulay bousselem.
Restaurante L’Ocean. O Oligofrénico. Já não há calamares. Ou havia pouquinhos. O apartamento.
Dia 11
Pequeno-almoço.
Rumo a Tânger. Rumo a entregar o carro. Rumo à chuva. Rumo a Espanha, a Portugal, a Faro e ao Santo António.
Aquecimento. Recepção IAC em Faro na Villa Francesinha. Dormir com almofadas no sofá.
Dia 2
Rumo a Espanha. Algeciras. Afinal, Tarifa.
Dia 3
Alugar carro e jipe. Negociar. Afrique rent-a-car. Ir perguntar ao do lado. Carros aqui? No hay! Concretizar o acto.
Tétouan. A Medina. O marroquino. A cooperativa dos tapetes. Tapetes contra a Rinite Alérgica. A marcação dos cuscus e dos tagines. A descoberta do Ali baba. A pressa, mata. Só mais uma Farmácia não! Queremos comer. Cuscus na sauna com joelhos a suar na toalha.
Chefchaouen.
Dia 4
Hotel das Cervejas. A Praça. Bis. Bis. Place Uta el-Hammam. Mesquita de Kasbah. Com tanto calor em Marrocos, o meu sítio preferido é a prisão que está fresquinha. Lavar os Tapetes. Pôr os pés na água. O creme de há 3 dias que se espalhava esquisito, afinal era gel de banho!
Equipas estabelecidas: corninho 1.6 e Trambolho. E muitas intervenções estúpidas.
O que voa e é preto ou são os mosquitos ou o batman!
Chegada a Fez. É agora o Festival Internacional de Música. Sacra. Pelo menos não é o Festival de Música Coccígea. Jantar no Terraço. Dormir no Terraço em frente.
Dia 5
Pequeno-almoço no Terraço. O Guia Misura das 4 mulheres e 24 filhos. Passeios na Medina. Tanques com tintas.
Mais intervenções estúpidas. Se La é não, Alá é anão. E inchalá era para ele ficar maior.
Tentativa de ir a banhos. As muçulmanas ali a fazer merendas.
Grande Jantarada no Hotel.
Dia 6
Caminhos difíceis pelo Atlas.
Cascadas de Ouzoud. Caminhos íngremes. Acampar em frente às cascadas. Durante a noite com lanternas. A casa de banho e o burro.
Dia 7
Acordar nas Cascadas. Tomar banho na argila. A casa dos Berberes. Chá e pão e cabras berberes. Atravessar o Atlas. Os meninos que aparecem do nada e levam canetas e toalhitas. O chouriço que tinha o limite da lata e era rebelde ao canivete.
Ouazazate. O Sr. simpático do Turismo que não leva nada e explica tudo.
A Caminho do Oásis Finnt para ver o pôr-do-sol. Atravessar caminhos de água com o carro e com o jipe. Empurrar o carro.
Jantar com as estrelas como o céu. Jogos até as tantas. Dormir em Palacete no Oásis.
Dia 8
Brincar aos rallys nos descampados. 43 graus registados.
Filmagens: Ecla Studios. O carro fica entalado na areia. Cavar com a pá.
Dia 9
Marrakech. Kebab. Tchizebrager. O riat.
Mercado.
Comer no Terraço. Mesquita. Peripécias no Mercado.
Dia 10
Auto-estrada. Estação de serviço de gasolina com salas para rezar para homens e para mulheres que são confundidas com casas de banho.
Moulay bousselem.
Restaurante L’Ocean. O Oligofrénico. Já não há calamares. Ou havia pouquinhos. O apartamento.
Dia 11
Pequeno-almoço.
Rumo a Tânger. Rumo a entregar o carro. Rumo à chuva. Rumo a Espanha, a Portugal, a Faro e ao Santo António.
quarta-feira, junho 02, 2010
Pediatria pode ser
"Este menino não tem nada, mas veio aqui ao Hospital ver se apanhava alguma coisa."
"Para essas dores, o melhor é aguentoterapia."
"Ó doutora, se for explicar o exame a cada criança, demora 2 horas por doente."
"Ora mostra lá a boca. Deixa lá ver o Noddy. Não deixas?
Olha, vou ver o Noddy que está na boca da mãe.
Vês? Não dói!"
"Sabes respirar pela boca?"- dizia para uma criança de menos de 1 ano "Vês, é assim!" fazendo a tal imitação que simulava um arfar que mais parecia o de um cão.
"Então tu ainda não percebeste que já não estás no Serviço de Obstetrícia?
As manobras fazem-se às crianças ou andas a fazer Ortolanis às mães?"
"Quem são os responsáveis pela fornada de gigantes que houve nas últimas 3 semanas no Hospital?
Então a doutora não viu que tinham todos 4 cm a mais?
Como é que eles podiam estar mais pequenos no dia a seguir a nascerem?"
"Quem foi o menino que pôs 60 cm de Perímetro Cefálico no Boletim?"
"Olha, tu vestes as crianças? É que eu estava ali a atrofiar com um babygrow cheio de botões e pousei-o por cima do bebé como se fosse uma manta."
"Para essas dores, o melhor é aguentoterapia."
"Ó doutora, se for explicar o exame a cada criança, demora 2 horas por doente."
"Ora mostra lá a boca. Deixa lá ver o Noddy. Não deixas?
Olha, vou ver o Noddy que está na boca da mãe.
Vês? Não dói!"
"Sabes respirar pela boca?"- dizia para uma criança de menos de 1 ano "Vês, é assim!" fazendo a tal imitação que simulava um arfar que mais parecia o de um cão.
"Então tu ainda não percebeste que já não estás no Serviço de Obstetrícia?
As manobras fazem-se às crianças ou andas a fazer Ortolanis às mães?"
"Quem são os responsáveis pela fornada de gigantes que houve nas últimas 3 semanas no Hospital?
Então a doutora não viu que tinham todos 4 cm a mais?
Como é que eles podiam estar mais pequenos no dia a seguir a nascerem?"
"Quem foi o menino que pôs 60 cm de Perímetro Cefálico no Boletim?"
"Olha, tu vestes as crianças? É que eu estava ali a atrofiar com um babygrow cheio de botões e pousei-o por cima do bebé como se fosse uma manta."
sexta-feira, maio 28, 2010
quinta-feira, maio 27, 2010
Grizzly Bear
@Coliseu dos Recreios
De lá de cima, para a fila mesmo atrás.
Todos os joelhos me tocam até alguém enganado trocar de lugar.
E mesmo no fim, apenas a 5 cabeças de distância!
Que inteligente tudo. Mesmo muito bom.
segunda-feira, maio 17, 2010
Runaway
"what makes you think I’m enjoyin' being led to the flood
We got another thing comin' undone
That’s taking forever
We don't bleed when we don't fight"
sábado, maio 15, 2010
Vouga abaixo
A Pediatria do HSFX organizou uma descida do Rio Vouga para os seus funcionários à qual os IAC’s do CHLO, entre outros, prontamente aderiram.
O plano começou quando decidimos não ter plano e simplesmente fazer a mala e partir um dia antes, com tenda e saco cama, prontos a acampar pelo caminho, se não encontrássemos nenhuma pousada de juventude. Contudo, no decorrer do trajecto, a cidade-sabedoria interpelou-nos, o plano foi retraçado, e aí ficámos. Mas tínhamos tudo para acampar se quiséssemos!
No dia seguinte impunha-se madrugar que havia ainda que ir Vouga abaixo.
Com início em Pessegueiro do Vouga e final previsto em Sernada do Vouga, dizia-se que seria uma descida num rio diferente, com forte envolvente natural e com alguma emoção em termos de corrente do rio.

Ora, feitas as explicações iniciais sobre como manejar as pagaias e qual a função do leme e a do motor, havia que distribuir os passageiros dois a dois.
Sendo que as duas pessoas que demonstraram mais receio na canoa ficaram com quem tinha já experiência na canoagem, escusado será dizer que uma delas fui eu.
Contudo, o Enfermeiro Vítor (nome fictício) não era só uma pessoa com experiência, mas alguém que gostava de experimentar os limites por entre os verdes, ir pelos sítios com maior corrente, pelas águas bravas, sempre com grande domínio da canoa, porém induzindo o perigo e a vertigem constante ao passageiro da frente, isto é, a mim.
Já os instrutores da Transerrano (nome fictício também este) vá-se lá saber porquê, achavam muita piada em molhar as pessoas e virar as canoas ao contrário, ao invés de reconfortar os passageiros mais afrontados.
Tinha, pois, sido até então uma primeira etapa particular.

Uma vez feita a pausa para almoço, eu estava já encharcada, embora, apesar da ameaça constante, a minha canoa ainda não tivesse virado, nem sido virada, graças ao domínio do meu parceiro.
Por essa altura, momento de paragem, suspensão e descanso, sentia-me bastante saciada e satisfeita com os 8 km que tinha feito até então. Como se a minha missão já se pudesse dar por cumprida.
Ora, a amiga Joana (nome imaginário também este) estava com frio e não queria continuar, porque já ela, tinha ficado com alguém que acumulava o não dominar a canoa, com o querer ultrapassar os limites e sobrepunha já ter virado a canoa, com ter sido virada, inúmeras vezes.

Foi aí que surgiu a ideia de acabar por ali a nossa jornada.
Retorquiram-nos com provocações infindas se tínhamos a certeza que queríamos Desistir.
Desistir? Não! O que nós queríamos era acabar mais cedo aquele trilho.
Não éramos capazes de continuar? Claro que éramos. Não quisemos porque já não nos apetecia.
Éramos fraquinhas? Não, não éramos. Nem era por continuarmos o itinerário que íamos provar que éramos fortes.
Como não tínhamos que provar nada a ninguém, apesar de lançados os reptos, rematámos ali um destino diferente do grupo, uns kilómetros distintos deste, que não era por ser um rumo prévio, mas por traçarmos objectivos descoincidentes.
Podíamos ter continuado, mas preferimos não continuar.
E o que fizemos nos entretantos?
Tive a guiar o camião com os reboques das canoas. Muito melhor!
O plano começou quando decidimos não ter plano e simplesmente fazer a mala e partir um dia antes, com tenda e saco cama, prontos a acampar pelo caminho, se não encontrássemos nenhuma pousada de juventude. Contudo, no decorrer do trajecto, a cidade-sabedoria interpelou-nos, o plano foi retraçado, e aí ficámos. Mas tínhamos tudo para acampar se quiséssemos!
No dia seguinte impunha-se madrugar que havia ainda que ir Vouga abaixo.
Com início em Pessegueiro do Vouga e final previsto em Sernada do Vouga, dizia-se que seria uma descida num rio diferente, com forte envolvente natural e com alguma emoção em termos de corrente do rio.
Ora, feitas as explicações iniciais sobre como manejar as pagaias e qual a função do leme e a do motor, havia que distribuir os passageiros dois a dois.
Sendo que as duas pessoas que demonstraram mais receio na canoa ficaram com quem tinha já experiência na canoagem, escusado será dizer que uma delas fui eu.
Contudo, o Enfermeiro Vítor (nome fictício) não era só uma pessoa com experiência, mas alguém que gostava de experimentar os limites por entre os verdes, ir pelos sítios com maior corrente, pelas águas bravas, sempre com grande domínio da canoa, porém induzindo o perigo e a vertigem constante ao passageiro da frente, isto é, a mim.
Já os instrutores da Transerrano (nome fictício também este) vá-se lá saber porquê, achavam muita piada em molhar as pessoas e virar as canoas ao contrário, ao invés de reconfortar os passageiros mais afrontados.
Tinha, pois, sido até então uma primeira etapa particular.
Uma vez feita a pausa para almoço, eu estava já encharcada, embora, apesar da ameaça constante, a minha canoa ainda não tivesse virado, nem sido virada, graças ao domínio do meu parceiro.
Por essa altura, momento de paragem, suspensão e descanso, sentia-me bastante saciada e satisfeita com os 8 km que tinha feito até então. Como se a minha missão já se pudesse dar por cumprida.
Ora, a amiga Joana (nome imaginário também este) estava com frio e não queria continuar, porque já ela, tinha ficado com alguém que acumulava o não dominar a canoa, com o querer ultrapassar os limites e sobrepunha já ter virado a canoa, com ter sido virada, inúmeras vezes.
Foi aí que surgiu a ideia de acabar por ali a nossa jornada.
Retorquiram-nos com provocações infindas se tínhamos a certeza que queríamos Desistir.
Desistir? Não! O que nós queríamos era acabar mais cedo aquele trilho.
Não éramos capazes de continuar? Claro que éramos. Não quisemos porque já não nos apetecia.
Éramos fraquinhas? Não, não éramos. Nem era por continuarmos o itinerário que íamos provar que éramos fortes.
Como não tínhamos que provar nada a ninguém, apesar de lançados os reptos, rematámos ali um destino diferente do grupo, uns kilómetros distintos deste, que não era por ser um rumo prévio, mas por traçarmos objectivos descoincidentes.
Podíamos ter continuado, mas preferimos não continuar.
E o que fizemos nos entretantos?
Tive a guiar o camião com os reboques das canoas. Muito melhor!
sexta-feira, maio 14, 2010
Pelo Papa
O Papa visita Portugal para presidir às celebrações do 13 de Maio em Fátima. O Estado é laico e como tal os funcionários públicos têm tolerância de ponto.
Os limites de circulação na cidade impediram-me de eleger o caminho habitual para o trabalho. Em alternativa, tento fugir aos troços cortados e aos caminhos por onde o Papa iria passar.
Porém, com o predomínio do desconhecimento exacto de quais as tais vias, foi obrigatório o Seu encontro.
Uma vez nas Amoreiras, o semáforo inesperadamente se desliga e o afluxo de carros e pessoas intensifica e abruptamente tudo pára. Claramente algo iria ali suceder, naquele sítio e naquele momento, e tendo em conta a quadra em questão, não era difícil decifrar o que seria.
Pouco depois surge um helicóptero, o que reforçou a perspicácia da conclusão. Estava assente que o Papa iria por ali passar, e que uma vez congestionados também nós iríamos ver o Papa.
Deixámos o carro e debruçámo-nos sobre o sentido onde iria aparecer. A estrada estava cortada. Como nos filmes. Não se avistava vivalma.
Inesperadamente começou a chover. Mas uma vez ali, e uma vez confinados, e sendo que iríamos ver o Papa, toda a chuva era merecida.
Passa uma moto da polícia. Passam 2. Passam 3. E bruscamente desfilavam muitas, em crescendo, assim como quem desenha um triângulo com as silhuetas das motas de polícia. E depois não sei quantos Mercedes e no meio deles uma mão acenando em concha.
Era o Papa! Tínhamos visto o Papa! Ou pelo menos a mão do Papa que se lhe adivinhava o rosto!
Tal como o Estado é laico mas há tolerância de ponto, nós não queríamos passar pelas ruas congestionadas onde por ventura fosse passar o Papa mas passámos e vimos.
Uma vez no dia 13, havia que empregar a tolerância de um modo católico que não fosse sinónimo de estar engarrafado em multidões. Por isso Fátima não podia ser.
Fomos a Mafra, ao Convento. Não havia trânsito, nem massas, nem nada. O Convento estava fechado!
Plano B? Ericeira.
Os limites de circulação na cidade impediram-me de eleger o caminho habitual para o trabalho. Em alternativa, tento fugir aos troços cortados e aos caminhos por onde o Papa iria passar.
Porém, com o predomínio do desconhecimento exacto de quais as tais vias, foi obrigatório o Seu encontro.
Uma vez nas Amoreiras, o semáforo inesperadamente se desliga e o afluxo de carros e pessoas intensifica e abruptamente tudo pára. Claramente algo iria ali suceder, naquele sítio e naquele momento, e tendo em conta a quadra em questão, não era difícil decifrar o que seria.
Pouco depois surge um helicóptero, o que reforçou a perspicácia da conclusão. Estava assente que o Papa iria por ali passar, e que uma vez congestionados também nós iríamos ver o Papa.
Deixámos o carro e debruçámo-nos sobre o sentido onde iria aparecer. A estrada estava cortada. Como nos filmes. Não se avistava vivalma.
Inesperadamente começou a chover. Mas uma vez ali, e uma vez confinados, e sendo que iríamos ver o Papa, toda a chuva era merecida.
Passa uma moto da polícia. Passam 2. Passam 3. E bruscamente desfilavam muitas, em crescendo, assim como quem desenha um triângulo com as silhuetas das motas de polícia. E depois não sei quantos Mercedes e no meio deles uma mão acenando em concha.
Era o Papa! Tínhamos visto o Papa! Ou pelo menos a mão do Papa que se lhe adivinhava o rosto!
Tal como o Estado é laico mas há tolerância de ponto, nós não queríamos passar pelas ruas congestionadas onde por ventura fosse passar o Papa mas passámos e vimos.
Uma vez no dia 13, havia que empregar a tolerância de um modo católico que não fosse sinónimo de estar engarrafado em multidões. Por isso Fátima não podia ser.
Fomos a Mafra, ao Convento. Não havia trânsito, nem massas, nem nada. O Convento estava fechado!
Plano B? Ericeira.
quarta-feira, maio 05, 2010
sexta-feira, abril 30, 2010
Obstetrícia
Pretendia-se desenvolver normas de conduta clínica no âmbito da obstetrícia, imprescindíveis à formação básica, e que seriam úteis no futuro em qualquer área de diferenciação. Ou pelo menos pareceu-me ser esse o objectivo.
A gravidez, e o parto foram as sublimes realidades contempladas e com as quais iniciei a vivência hospitalar no corrente ano no HSFX.
O que trago deste Estágio?
Uma afeição pela obstetrícia, pelo conceito teórico e prático de “por vida no mundo”, a percepção de uma vida profissional dedicada à saúde materno-fetal, uma maior simpatia pela cirurgia, um grande apreço pelo Hospital, pelos colegas, pelas instalações, pela localização e pela vista. E vá, pelo horário!
A gravidez, e o parto foram as sublimes realidades contempladas e com as quais iniciei a vivência hospitalar no corrente ano no HSFX.
O que trago deste Estágio?
Uma afeição pela obstetrícia, pelo conceito teórico e prático de “por vida no mundo”, a percepção de uma vida profissional dedicada à saúde materno-fetal, uma maior simpatia pela cirurgia, um grande apreço pelo Hospital, pelos colegas, pelas instalações, pela localização e pela vista. E vá, pelo horário!
terça-feira, abril 27, 2010
segunda-feira, abril 26, 2010
Os Cravos
Na época das comemorações do 25 de Abril impõe-se meditar.
Reflectir sobre o significado do Cravo Vermelho.
Ponderar a sua localização estratégica no cano das espingardas.
Congeminar que desde esses dias eclodiu o sentimento revolucionário.
E imaginar que assim desabrochou o movimento que derrubou o regime ditatorial herdado.
Depois de meditares sobre todas estas temáticas, aí sim, recomenda-se visitar o Palácio Nacional de Belém e aconselha-se percorrer o Quartel do Carmo.
(Outros relatos/sugestões aceitam-se, mas só em Abril.)
Reflectir sobre o significado do Cravo Vermelho.
Ponderar a sua localização estratégica no cano das espingardas.
Congeminar que desde esses dias eclodiu o sentimento revolucionário.
E imaginar que assim desabrochou o movimento que derrubou o regime ditatorial herdado.
Depois de meditares sobre todas estas temáticas, aí sim, recomenda-se visitar o Palácio Nacional de Belém e aconselha-se percorrer o Quartel do Carmo.
(Outros relatos/sugestões aceitam-se, mas só em Abril.)
terça-feira, abril 20, 2010
Instrumentar
"-Está a jorrar sangue
-Foram atingidas as uterinas
-Passa a hemostática
-Segura no Farabeuf
-Compressas!
...
-Estancou!
...
- O porta-agulhas?"
-Foram atingidas as uterinas
-Passa a hemostática
-Segura no Farabeuf
-Compressas!
...
-Estancou!
...
- O porta-agulhas?"
sexta-feira, abril 16, 2010
terça-feira, abril 13, 2010
segunda-feira, abril 12, 2010
O Tejo é mais belo
O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele.
Alberto Caeiro
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